O setor de serviços caiu 1,2% em março, segundo dados do IBGE, puxando a deterioração da atividade econômica. O resultado ficou 12 vezes acima da expectativa do mercado, sugerindo menor tração da economia diante da política de juros elevados. O setor representa mais de 70% do PIB.
A leitura inicial aponta desaceleração generalizada, com a quarta queda nos últimos cinco meses. Apesar disso, o IBGE keep ressaltou alta de 2,8% no índice de 12 meses e avanço de 3% ante março do ano anterior, em comparação 24º resultado positivo consecutivo nesse eixo.
Economistas destacam que a queda foi disseminada entre segmentos. Outros serviços recuou 2,0%, transportes 1,7%, serviços prestados às famílias 1,5%, serviços profissionais 1,1% e informação e comunicação 0,9%. Mesmo assim, outras áreas ajudam a segurar o PIB.
Para analistas, a alta dos combustíveis pode ter realocado o consumo, pressionando serviços prestados às famílias e transportes. O recuo em março também aponta enfraquecimento de áreas que vinham sustentando a expansão, como serviços de tecnologia da informação, que recuaram 1,7%.
Cenário para o governo e o Copom
O mercado continua cauteloso quanto à inflação de serviços, apesar da queda mensal. Especialistas afirmam que a desaceleração ainda não justifica cortes da Selic neste momento, devido a condições de emprego, renda e custos logísticos elevados.
O Banco Central pode interpretar o dado como sinal de perda de tração cíclica, sem indicar desinflation estrutural. O cenário de renda resiliente e eventual afrouxamento prematuro das condições financeiras preocupa o espaço para flexibilização monetária.
Para o mercado de renda e atividade, o tom é de moderação, com o BC mantendo postura prudente. A leitura aponta que a trajetória de inflação de serviços segue como fator-chave na tomada de decisão sobre a trajetória da taxa básica.
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