A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (15/5) uma operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que mira o empresário Ricardo Andrade Magro, controlador do Grupo Refit, e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. A ação investiga um suposto esquema de sonegação fiscal e favorecimento envolvendo o conglomerado do setor de combustíveis, segundo as autoridades.
Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete de afastamento de cargos públicos no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. O STF ainda bloqueou R$ 52 bilhões em ativos financeiros ligados ao Grupo Refit e determinou a suspensão das atividades da empresa.
Segundo apuram os investigadores, a operação é desdobramento das investigações sobre o Grupo Refit, apontado pela Receita Federal como o maior devedor de impostos do país, com débitos estimados em mais de R$ 26 bilhões. A apuração ganhou impulso após a chamada Operação Carbono Oculto, de agosto de 2025, que tratou de infiltração do PCC no setor de combustíveis.
A investigação envolve ainda benefícios fiscais concedidos pelo governo fluminense à antiga Refinaria de Manguinhos, hoje Refit. Em 2023, na gestão de Cláudio Castro, a empresa recebeu incentivos para ampliar atuação no mercado de óleo diesel, conforme apurado.
Ação internacional ganhou destaque após Moraes incluir o nome de Magro na Difusão Vermelha da Interpol. Caso aceita, o pedido permitirá localização e prisão do empresário em qualquer um dos 196 países da rede de cooperação policial.
Magro vive em Miami, nos EUA, desde a década passada. Ganhou notoriedade nacional em 2008 ao comprar a Refinaria de Manguinhos. Há histórico de investigações por fraudes tributárias, uso de offshores e suposta compra de decisões judiciais no TJ-SP.
Em 2016, Magro já foi preso sob suspeita de irregularidades que teriam prejudicado o fundo de pensão Postalis. A defesa do empresário não se manifestou sobre a operação de sexta-feira.
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