O Frigorífico Concepción, empresa paraguaia com operações no Brasil e na Bolívia, enfrenta dificuldade de liquidez e busca vender ativos para cumprir dívidas próximas. Títulos da empresa caíram a níveis de distress, em meio a pagamentos de dívida programados.
Os US$ 300 milhões em bonds com vencimento em 2028 estão sendo negociados a apenas 19 centavos de dólar, conforme dados da Trace. Até junho e julho, a Concepción precisa pagar cerca de US$ 65 milhões em dívida, incluindo cupom e uma linha de crédito do Bank of America de US$ 16,8 milhões.
A empresa afirma estar dedicada a honrar seus compromissos financeiros, prometendo venda de ativos e medidas de refinanciamento. O diretor financeiro Gabriel Cordova mencionou a intenção de realizar uma recompra de dívida de pelo menos US$ 10 milhões para sinalizar apoio aos detentores de títulos.
Cordova também indicou que negociações com o Bank of America sobre a linha de crédito estão em curso. A Concepción precisa levantar US$ 59 milhões até o fim do ano para cumprir os pagamentos da linha de crédito.
Choque de confiança
Nos últimos 12 meses, as ações da empresa foram impactadas por acusações de fraude contábil, embora a PricewaterhouseCoopers tenha considerado as acusações infundadas. A empresa também fechou cinco dos seus nove matadouros no Brasil, ajustando sua operação.
A Concepción atua na criação e processamento de suínos no Paraguai e no Brasil, incluindo o matadouro Incka Foods no Paraguai, com abertura prevista para este mês. A queda de confiança no mercado levou a queda nos preços de seus títulos.
De acordo com avaliação de analistas, as debêntures podem ter recuperação potencial caso haja continuidade das operações centrais e liquidez suficiente para cobrir obrigações de curto prazo, apesar do cenário de distress. A companhia tem dívida líquida elevada e histórico de expansão financiada por crédito.
Classificações de risco
As classificações de risco apontam vulnerabilidade significativa. A Moody’s mantém a Concepción muito abaixo do grau de investimento, com perspectiva negativa; a Fitch cortou a nota para CCC em abril, apontando forte risco de continuidade de financiamento. A S&P Global retirou a classificação a pedido da empresa em agosto.
Analistas acompanham o nível de liquidez versus serviço da dívida e a capacidade de refinanciamento como determinantes para o futuro da empresa. As informações sobre a situação financeira são atualizadas conforme novos dados de mercado e de operações são divulgados.
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