Airbus anunciou um novo corte de 10% na maioria dos gastos não industriais, buscando conter custos diante da incerteza global e de problemas na cadeia de suprimentos. A medida afeta a divisão de fabricação de aviões e atividades da sede, mas não interrompe a produção.
Segundo fontes do setor, o ajuste foca em reduzir o uso de contratados externos, passível de impactar serviços de apoio e compras indiretas. A iniciativa se soma ao plano LEAD, lançado em 2024, para enxugar custos de forma mais ampla. A Airbus, com sede em Toulouse, não comentou o assunto.
Contexto macro e impactos operacionais
A decisão ocorre em meio a pressão inflacionária e ao encarecimento de energia, fatores citados por analistas como risco para custos de produtos derivados. O CEO Guillaume Faury já havia apontado preocupações com o impacto desses preços, sem indicar interrupções diretas na guerra.
Atrasos na cadeia de suprimentos já vinham pressionando a produção. Dificuldades com motores, disputa com Pratt & Whitney e integração de peças da antiga Spirit AeroSystems afetam especialmente os componentes do A350. Os envios de aeronaves caíram 16% no 1º trimestre, e cresceram 6% em abril, segundo fontes da indústria.
Entregas e projeções de curto prazo
A Airbus projeta aumento de entregas de cerca de 10% neste ano, para aproximadamente 870 aeronaves. Dados da Cirium indicam que, neste mês, a fabricante já entregou cerca de 27 aeronaves. Analistas destacam que o ritmo de recuperação ainda depende de melhorias na cadeia de suprimentos e no fluxo de peças.
Rob Morris, analista de aviação, sinalizou que a trajetória de 870 entregas depende de reduzir gargalos no sistema. Em abril, Faury afirmou que a maioria dos A320 afetados por falhas de um fornecedor espanhol seria entregue até o fim de junho.
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