A SLC Agrícola, uma das maiores produtoras do Brasil, traça estratégia com foco em escala, tecnologia e gestão de riscos para enfrentar ciclos de alta e baixa das commodities. O CEO Aurélio Pavinato participou do programa Business, da BM&C News, para detalhar planos e desafios.
Fundada em 1977 em Horizontina (RS), a empresa expandiu para o Cerrado após adquirir a primeira fazenda em Goiás, em 1980. O IPO de 2007 acelerou a expansão com equilíbrio entre terras próprias, arrendamentos e parcerias.
Atualmente, a SLC produz em 26 unidades em oito estados, somando cerca de 830 mil hectares. Dois terços operam em áreas arrendadas ou em parceria; um terço em terras próprias. A soja domina a área, seguida pelo algodão e pelo milho.
Gestão de riscos
A diversificação geográfica e de culturas é usada para mitigar impactos climáticos e de mercado. Fazendas distribuídas em estados diferentes reduzem exposição a eventos climáticos locais, enquanto vendas antecipadas protegem margens.
Pavinato destaca que o segredo está em reduzir o custo unitário da produção e em combinar planejamento técnico com capacidade de adaptação. Segundo ele, estratégias não se repetem igual em todas as operações.
Resultados financeiros de 2025
A SLC encerrou 2025 com receita recorde de R$ 8,6 bilhões e volume de 3,59 milhões de toneladas. A produção de milho atingiu 8.300 kg por hectare, e o EBITDA ficou próximo de R$ 2,7 bilhões, com margem superior a 30%.
A empresa manteve payout de 50% do lucro, destinando R$ 400 milhões em dividendos e JCP em 2025. O dividend yield ficou em 5,6%, segundo o gestor, que projeta continuidade desse patamar nos próximos anos.
Expansão contracíclica e aquisições
A estratégia de crescimento ocorre em períodos de baixa do setor. Em 2021, aquisições como Terra Santa e Agrícola Xingu aumentaram a área plantada de 450 mil para 650 mil hectares. Em 2022 e 2023, a companhia foi mais contida.
Com a queda de preços em 2024, a SLC retomou o crescimento, chegando a 730 mil hectares em 2024 e 830 mil hectares em 2025. A expansão atual se sustenta pela lucratividade e por custos competitivos.
Perspectivas para 2026/27
O jornalismo consultou o executivo sobre fertilizantes. Pavinato aponta desafio maior na safra 2026/27 para quem não travou insumos. A SLC já comprou cerca de 70% do fósforo e do potássio para esse ciclo.
Segundo ele, o posicionamento estratégico evita surpresas com custos elevados. A empresa ainda trabalha para manter equilíbrio entre produção, insumos e margens, diante de um cenário desafiador.
Entre na conversa da comunidade