A agrishow de 2026 revelou o paradoxo do setor: tecnologia de energia limpa convive com diesel, gás e eletricidade da rede. Tratores movidos a etanol, aeronaves agrícolas 100% biodinâmicas e geração distribuída convivem com a prática cotidiana no campo, que ainda depende de combustíveis convencionais.
Especialistas analisam a relação entre custos, competitividade e inovação. O agro brasileiro, atuando como exportador de commodities, busca reduzir custos para manter margens diante de mercados globais. A energia barata pode ampliar a competitividade, mas exige investimentos que nem sempre são viáveis no curto prazo.
A visão internacional mostra que renováveis cresceram no setor agrícola global, mas de forma desigual. Dados da Irena e da FAO indicam incremento de 10,8% para 15,4% na participação de renováveis entre 2011 e 2021, ainda abaixo de outros setores. A adoção depende de ciclo de vida de máquinas, infraestrutura rural e custo total de operação.
No campo, a substituição de fontes energéticas não é apenas técnica, mas estratégica. Em operações de grande escala, soluções de eficiência no uso do diesel ganham espaço, com remapeamento de motores, manutenção especializada e uso de peças usadas. Tecnologias drop-in costumam ter maior aceitação por não alterar a operação.
A reportagem aponta que o Agro 2026 vê a energia como portfólio. Biogás, biometano, etanol e geração solar distribuída aparecem como opções, dependendo da cadeia produtiva. Em algumas atividades, o diesel permanece relevante devido à confiabilidade e ao custo-benefício.
Além de consumo, o setor pode virar produtor de energia. A usina de cana, a pecuária e outras cadeias podem gerar biomassa, energia solar e créditos de carbono. Rastreabilidade, telemetria e métricas de carbono passam a ser ativos comerciais, influenciando contratos e acesso a mercados.
A reportagem aponta que a transição será pragmática: avançará onde houver ganho operacional e financiamento, com foco na continuidade operacional. A energia limpa precisa entregar não apenas menor emissão, mas previsibilidade econômica e valor de mercado.
Mercado e política caminham juntos. Regulamentação externa, como o EUDR da União Europeia, exige comprovação de evitar desmatamento. O CBAM, em fase avançada, amplia o escrutínio sobre emissões na cadeia produtiva. A ideia é que a rastreabilidade alcance a produção primária.
Portanto, a pergunta que fica é quando o agronegócio brasileiro se prepara para exigir renováveis como critério de custo e de acesso a mercados, não apenas como vantagem competitiva. O desafio é alinhar pesquisa, política e setor para evitar surpresas futuras.
Fontes: especialistas citados na cobertura da Agrishow, dados da Irena e da FAO, e análises sobre CBAM e EUDR.
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