Samsung Electronics enfrenta a maior greve de sua história, com quase 48.000 trabalhadores prontos para parar durante 18 dias. A mobilização ocorre na Coreia do Sul e gira em torno do teto de bonificações e de mudanças no sistema de prêmios. As negociações seguem nesta terça-feira, com a intervenção de um mediador e pressão de governo e empresários para evitar paralisação prolongada.
A greve pode impactar fortemente a economia sul-coreana, já que a Samsung responde por quase um quarto das exportações do país. A empresa é líder mundial na produção de memória, e interrupções na fábrica podem comprometer o fornecimento global, em um momento de alta demanda por chips de memória impulsionada pela IA.
O que as partes querem
O principal sindicato exige eliminar o teto de 50% do salário anual nas bonificações e destinar 15% do lucro operacional anual a um fundo de premiações distribuído entre trabalhadores, com efeito vinculante além deste ano.
A Samsung, por sua vez, apresentou uma oferta mais limitada. Em março, propôs bonificações extraordinárias apenas para este ano, acima das oferecidas pela competição, sem eliminar o teto. Também ofereceu bônus de 50% a 100% para áreas de chips lógicos, valendo apenas como pagamento único deste ano.
Possíveis impactos e cenário
Caso a greve se confirme, a previsão de expansão da economia sul-coreana pode recuar de 2,0% para cerca de 1,5%, segundo cálculo de fonte não identificada da diretoria de um banco estatal citado pela Reuters. Estima-se perda em torno de 19,9 bilhões de dólares em produção de chips, além de semanas adicionais de interrupção.
Analistas apontam que a greve pode reduzir o fornecimento mundial de memória DRAM em 3% a 4% e de memória NAND em 2% a 3%, elevando pressões de preço. Investidores observam se a Samsung acatará pedidos de bonificações maiores que gerariam custos permanentes.
Como a situação evolui
A estimativa de adesão aponta alta participação, com o sindicato afirmando que quase 38% da força de trabalho no país pode entrar em greve. Um tribunal autorizou parcialmente manter serviços mínimos em algumas plantas, exigindo a presença de cerca de 7.087 trabalhadores mesmo em caso de paralisação.
As fábricas de memória operam 24 horas, em turnos, nas regiões de Pyeongtaek e Hwaseong. Samsung e SK Hynix vinham registrando ganhos elevados pela escassez global de chips, alimentada pela demanda de IA, o que intensifica a pressão sobre negociações.
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