O diretor de política monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou que o novo programa Desenrola, que permite renegociação de dívidas bancárias, gera incerteza sobre seus impactos na política monetária. O lançamento ocorreu há duas semanas, pelo governo federal, com o objetivo de limpar o nome de negativados em troca de renegociação de dívidas. O comentário foi feito durante um evento do Santander.
David sugeriu que a medida pode estimular uma maior demanda por crédito, à medida que pessoas comecem a pagar dívidas e haja menor renda disponível para consumo. Ele ressaltou que, mesmo com a renegociação, a dinâmica de crédito pode mudar a poupança e o gasto das famílias. O diretor pontuou que esse efeito depende do comportamento dos tomadores.
Ao responder sobre o ambiente econômico, o diretor afirmou que a política monetária tem cumprido seu papel e que a economia não opera acima do seu potencial atual. Ele indicou, ainda, que o cenário internacional, especialmente o conflito no Oriente Médio, elevou a incerteza desde o início deste ano, afetando as expectativas de inflação.
Desenrola e o cenário de crédito
Nilton David explicou que reformas no sistema financeiro, realizadas desde 2024, ampliaram o acesso ao crédito, o que impõe desafios adicionais à condução da política monetária. O BC tem monitorado a evolução da inflação para manter a meta, com a Selic já em patamar restritivo antes do agravamento da crise internacional.
O diretor comentou que o ambiente externo trouxe volatilidade e exigiu ajustes na leitura de preços. Em relação ao combate à inflação, ele afirmou que o BC não tolerará pressões de alta de preços decorrentes do conflito, sinalizando cautela com a transmissão de choques aos preços internos.
Questionado sobre comunicação ao mercado, Nilton David declarou que a intenção é reduzir volatilidade por meio de transparência. A ideia é comunicar rapidamente qualquer novidade relevante para que o mercado reaja com informação disponível, mantendo o manejo técnico da política monetária.
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