A fusão entre Arezzo e Grupo Soma, anunciada em 2024, gerou expectativas de criação de um polo varejista de moda no Brasil. A união reuniria marcas como Schutz, Arezzo, Farm, Animale e Reserva, com promessas de escala e competitividade frente a mercados asiáticos.
Nos bastidores, a gestão da nova companhia, a Azzas 2154, ficou marcada por atritos entre os principais nomes. Alexandre Birman, da Arezzo, e Roberto Jatahy, do Soma, teriam divergências sobre controle, decisões estratégicas e ritmo de integração.
Choque de culturas
O confronto interno é apontado como um dos principais problemas desde o começo da integração. Birman era visto como controlador; Jatahy, mais flexível. A diferença de estilos gerou tensões sobre governança e autoridades.
A disputa pela escolha de executivos ficou evidente ainda antes da conclusão da fusão. Jatahy defendia avaliações independentes; Birman queria manter a decisão final dele como CEO da empresa consolidada.
A percepção de que a operação funcionaria como uma aquisição disfarçada ganhou força entre acionistas e equipes. Consultores chegaram a sugerir que o negócio não avançasse, sinalizando fragilização da integração.
Crise e desdobramentos
Mesmo com a cerimônia na B3, o clima interno já apontava para problemas. Saídas de executivos estratégicos passaram a ocorrer, incluindo nomes ligados à harmonização das culturas das marcas.
Entre os resultados, as vendas caíram em várias unidades. O valor de mercado da Azzas recuou, ficando abaixo da soma de Arezzo e Soma antes da fusão. Apenas o braço feminino, herdado do Soma, mostrou crescimento.
Rony Meisler, fundador da Reserva, saiu logo após o início da crise. O afastamento de outros executivos reforçou a percepção de ruídos na gestão integrada.
Situação atual e próximos passos
O estopim veio com a saída da Reserva do núcleo carioca, interpretada como intervenção de Birman. Jatahy acionou a Justiça alegando prejuízos às sinergias. A disputa segue em arbitragem.
O Itaú foi contratado para assessorar a Azzas na avaliação de alternativas estratégicas. O mercado acompanha o desfecho, com rumores de desmembramento ainda em pauta.
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