A Andrade Gutierrez protocolou pedido de recuperação extrajudicial na 1ª Vara de Belo Horizonte, nesta terça-feira, 19 de maio de 2026. O objetivo é renegociar dívidas estimadas em R$ 3,4 bilhões, conforme apurado pelo Valor Econômico. A magistrada responsável é Claudia Helena Batista.
O processo envolve seis empresas do grupo, distribuídas em dois planos de recuperação. O primeiro compreende AGE (Andrade Gutierrez Engenharia S.A.), AGCS (Andrade Gutierrez Construções e Serviços S.A.) e AGIE (Andrade Gutierrez Investimentos em Engenharia S.A.). O segundo plano envolve AGINT (Andrade Gutierrez International S.A.), Zagope SGPS S.A. e Inzag Germany GMBH.
Segundo o documento, o pedido se sustenta em três fatores. Quase metade das obras do grupo foi paralisada ou adiada, com impacto no caixa. Além disso, o aumento das taxas de juros e a valorização do dólar foram apontados como determinantes para o endividamento.
Projetos internacionais distinguem as dificuldades. Em Gana, uma rodovia, que representava cerca de 15% da carteira de projetos, com valor estimado de R$ 1,4 bilhão, foi suspensa. O governo local inadimpliu dívidas em dezembro de 2022, interrompendo o financiamento externo e as obras.
Na República Dominicana, uma usina hidrelétrica respondia por aproximadamente 32% da carteira, cerca de R$ 3,2 bilhões, e também teve adiamento. A construtora atribui a paralisação a decisões do governo dominicano.
A Andrade Gutierrez informou ao Poder360 que o plano já tem consentimento dos credores. A empresa afirma que a recuperação extrajudicial faz parte de um processo de reestruturação e desalavancagem, com apoio de credores que representam mais de 70% dos créditos. Isso, segundo a companhia, fortalece operações e cumprimento de compromissos.
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