Os bancos brasileiros redirecionaram crédito de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) para linhas com garantia pública, ampliando a exposição a programas como Pronampe e Peac-FGI. O movimento ocorreu no primeiro trimestre, em meio a juros elevados e busca por manter qualidade de ativos. O objetivo é sustentar o andamento financeiro das PMEs com apoio governamental.
A carteira combinada de Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil para PMEs atingiu R$ 762,5 bilhões no 1º trimestre, alta anual de 8,2%. Em relação ao trimestre anterior, houve recuo de 1,3%, pressionado pelo BB. Desembolsos nessas linhas garantidas explicam o ganho. O governo indicou continuidade dos instrumentos.
As linhas garantidas representam até 80% da operação, fortalecendo o balanço diante da vulnerabilidade das PMEs ao ciclo econômico. Em abril, o Ministério da Fazenda anunciou aporte adicional de R$ 2 bilhões ao FGI, fortalecendo o programa.
Destaques por banco
O Itaú, maior banco privado, expandiu o crédito para PMEs em 11% anual, para R$ 302,8 bilhões. Entre micro e pequenas empresas, a participação de garantias subiu de 37% para 70%. O presidente Milton Maluhy Filho afirmou que os mecanismos de garantia devem permanecer ativos nos próximos anos.
Bradesco registrou alta anual de 14,4% no saldo destinado a MPMEs, totalizando R$ 254,6 bilhões. O Bradesco S/A Cidade de Deus respondeu por cerca de 21% das operações em FGI e FGO, segundo o presidente Marcelo Noronha.
Santander Brasil expandiu a carteira de PMEs em 10% na comparação anual, para R$ 93,7 bilhões, porém o crescimento trimestral foi estável. O CEO Mario Leão disse que a expansão foi mais cautelosa frente ao cenário macro.
O Banco do Brasil teve queda de 10% no portfólio de MPMEs no ano, para R$ 111,4 bilhões, com deterioração de qualidade no agronegócio. Ainda assim, operações via Pronampe e FGI cresceram 31,5%, para R$ 37,8 bilhões.
Inadimplência
A inadimplência entre MPMEs avançou no trimestre, refletindo juros mais restritivos e incertezas econômicas, além de efeitos de carência dos programas governamentais. No FGI, a garantia pode ser acionada apenas após 90 dias de inadimplência.
No Itaú, a inadimplência de MPMEs subiu 0,1 ponto porcentual, para 1,9% no trimestre. O analista estima possível avanço adicional de cerca de 0,2 pp nos próximos exercícios.
O Santander registrou alta de 0,5 pp, para 6%. Bradesco viu a inadimplência subir de 3,8% para 4,0%. O BB manteve o índice elevado, em 8,79%. Os números refletem o ambiente de crédito mais desafiador para pequenas empresas.
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