O Itaú revelou que um aumento de 10% no preço do petróleo pode elevar a inflação em até 0,7 ponto percentual no IPCA. O estudo aponta impactos diretos e indiretos para o bolso do brasileiro, com reflexos em combustíveis e alimentos.
A projeção foi apresentada pelo departamento de pesquisa macroeconômica do banco, com participação das economistas Julia Gottlieb e Luciana Rabelo. O trabalho utiliza dois métodos para estimar o repasse de custos na cadeia produtiva.
Segundo a análise, o efeito direto ocorre nos preços de combustíveis e energia, com um impacto fixo de 20 pontos-base no IPCA a cada alta de 10% no petróleo. O efeito indireto resulta de custos intermediários de produção e transporte.
O estudo ainda avalia o repasse via duas abordagens. Um modelo econométrico indica aumento indireto de cerca de 30 pontos-base para a inflação. A segunda, com base na Tabela de Recursos e Usos do IBGE, aponta até 50 pontos-base no índice total.
Somando os efeitos, o impacto total estimado fica entre 50 e 70 pontos-base no IPCA, conforme o cenário. Aproximadamente um terço desse efeito indireto vem do óleo diesel e custos de frete, com o restante dos derivados impulsionando a inflação.
Cenário de inflação
O Itaú projeta inflação de 5,2% ao fim de 2026, considerando petróleo a US$ 85 por barril e câmbio em R$ 5,15. O câmbio nesta sexta operava próximo desse patamar.
Os analistas destacam que o núcleo da inflação já vem incorporando o choque do petróleo, reduzindo a distorção apenas à gasolina. O efeito alcança itens com maior exposição aos derivados, mantendo a inflação em trajetória mais resistente.
A avaliação sugere maior cautela ao Banco Central quanto a cortes na taxa básica de juros, dadas as pressões iniciais e o repasse rápido aos preços de bens de consumo. O relatório aponta risco de alta para a inflação.
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