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Renda fixa domina ETFs: fatores além da Selic moldam o mercado

Renda fixa impulsiona ETFs: AuM de R$ 51 bilhões, vantagens tributárias e modelo fee-based elevam adesão de institucionais e varejo

Por que a renda fixa tomou conta do mercado de ETFs (Dica: não é só a Selic)
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O mercado de ETFs de renda fixa vive um crescimento expressivo no Brasil. Dados recentes indicam que o patrimônio total investido nesses produtos atingiu 51 bilhões de reais, quase seis vezes o nível de dezembro de 2024, enquanto o conjunto de ETFs avançou cerca de 2x no mesmo período.

Os ETFs de renda fixa, lançados em 2019, já superaram o patrimônio dos produtos de renda variável locais, que somam 36 bilhões de AuM. No total de renda variável, incluindo ações no exterior, o patamar chega a 55 bilhões de reais. Juros altos explicam parte do fenômeno, mas não toda a tendência.

Um fator relevante é a adoção gradual do modelo fee-based, em que o assessor é remunerado pelo investidor, não por comissões de venda. Essa mudança aumenta a transparência tributária dos ETFs e facilita o argumento de vantagens fiscais, como isenção de come-cotas e de IOF nos primeiros 30 dias de aplicação.

Mudança tributária e impacto operacional

Até 2024, a principal dúvida envolvia os ETFs de LFT, títulos públicos que caminham com a Selic, mas vencem em prazos longos. A Secretaria do Tesouro Nacional classificou esses papéis como de curto prazo com alíquota de 25%. Já ETFs com carteira atrelada à inflação ou prefixados, com prazo médio acima de 720 dias, são tributados a 15%.

Essa clareza tributária levou ajustes nos ativos existentes e novos lançamentos. Entre os players, fundos institucionais utilizam ETFs para zerar o caixa no dia a dia. O BLFT11, da Bradesco Asset, é o maior ETF de renda fixa, com 10 bilhões de reais em LFTs e foco institucional.

Movimentação de players e demanda

A Investo, gestora especializada, ampliou seu AuM de 1,8 bilhão para 10 bilhões de reais em razão da demanda por renda fixa. Alessandra Gontijo, sócia da Investo, aponta interesse de pessoas físicas, institucionais e empresas que buscam alternativas para o caixa.

O LFTB11, terceiro maior ETF do setor, passou a investir 8% em NTN-B 2060 para manter o prazo médio próximo de 760 dias e sustentar a alíquota de 15%. Ao mesmo tempo, a XP lançou oito ETFs de renda fixa nos últimos seis meses, com títulos públicos pós, pré e atrelados à inflação.

Perspectivas e debates

Segundo analistas, a tributação favorece parte dos investidores, mas nem todos os perfis se beneficiam. A taxa de administração média dos ETFs de renda fixa fica em torno de 0,25%, ainda acima de fundos equivalentes de alta renda. Há expectativa de redução de tarifas conforme o mercado amadurece.

Há interesse em ETFs de crédito privado, cuja oferta depende de definição tributária entre 15% ou 25%. Existe discussão entre Anbima e o Tesouro sobre o tema, e lançamentos dependem de clareza regulatória. Danilo de Souza Gabriel, da XP Asset, confirma o cenário pré-operacional.

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