O governo confirmou um bloqueio adicional de R$ 22,1 bilhões no Orçamento de 2026, elevando o bloqueio total para R$ 23,7 bilhões. A medida visa compensar a piora das despesas obrigatórias e manter o cumprimento do limite de gastos.
Economistas consultados pelo CNN Money afirmam que a contenção ajuda a reduzir o déficit no curto prazo, mas não muda a trajetória de gastos obrigatórios, que seguem pressionando o orçamento. A Previdência e o BPC aparecem entre os principais focos da elevação.
A atuação do governo é vista como sinal de responsabilidade fiscal, mas gera dúvidas sobre a eficácia a longo prazo. Juliana Inhasz, professora do Insper, ressalta que o ajuste não resolve o desequilíbrio estrutural, pois a maior parte da pressão vem de despesas obrigatórias.
Perspectivas e impactos
Marcela Kawauti, da Lifetime Investimentos, destaca o tamanho inédito do bloqueio: surpreendeu o mercado, que esperava cerca de R$ 11 bilhões. O efeito líquido, porém, fica reduzido pela revisão de gastos.
A economista-chefe da Warren Investimentos aponta que o resultado primário deve sofrer impacto mínimo. Ela também observa que o pacote de bondades do governo, estimado em quase R$ 230 bilhões, sustenta estímulos relevantes na economia.
Segundo Kawauti, a composição das despesas reforça a necessidade de reformas estruturais. O aumento de gastos previdenciários reduz a capacidade de direcionar recursos para áreas com maior potencial produtivo.
A avaliação preliminar da Warren indica que a meta fiscal de 2026 ainda deve ser cumprida, apesar da deterioração das despesas e das previsões de receitas adicionais associadas ao petróleo.
- Com informações de Vitória Queiroz e Álvaro Augusto, da CNN Brasil
Entre na conversa da comunidade