Em meio à possibilidade de Rubens Ometto deixar de compor o aumento de capital da Raízen, credores já não contam mais com os R$ 500 milhões que viriam dele. A operação envolveria um aporte total de R$ 4 bilhões com a participação da Shell, na joint venture entre Cosan e Shell. A decisão sobre a participação de Ometto ainda está em discussão.
A Raízen pediu recuperação extrajudicial em 11 de março, com dívidas de R$ 65 bilhões. A expectativa é apresentar o plano para homologação na Justiça no início de junho, quando se encerra o prazo de 90 dias previsto por lei. O cenário depende de acordos com credores e com a Shell.
Situação dos credores e condições do acordo
Os credores detentores de bonds tentavam viabilizar um empréstimo sênior de cerca de R$ 2,5 bilhões com garantias, mas o custo e as garantias foram considerados inviáveis por fontes presentes nas negociações. A taxa de conversão de dívida em ações também é discutida para equilibrar o passivo sem impor novo peso à Shell.
Pessoas próximas às negociações indicam que o caminho deve ser um acordo até 9 de junho, data limite para aprovação do plano. A alternativa de recuperação judicial é vista como prejudicial a todos, ainda que mencionada de forma retórica para pressão.
Posição da Shell e da Cosan
A Shell informou apoiar a decisão de Raízen de entrar com a recuperação extrajudicial em comum acordo com os credores, visando uma solução negociada. A empresa reafirmou a proposta de injetar R$ 3,5 bilhões como parte da solução estrutural e segue atuando em conjunto com a gestão e credores.
A Cosan não comentou sobre o aporte nem sobre a participação futura. O CEO da Cosan, Marcelo Martins, afirmou que a diluição da participação ocorreria e que a empresa não manterá acordo de acionistas com a Shell, sem ainda definir o horizonte de venda.
Esta matéria foi publicada pela Broadcast+ em 25/05/2026.
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