A Estrela pediu recuperação judicial nesta quarta-feira, encerrando quase oito décadas como empresa listada na bolsa. O anuncio mostra um retrato do ambiente de negócios no Brasil, marcado por juros altos e competição com opções digitais.
A fabricante de brinquedos, conhecida por Banco Imobiliário, Genius e Autorama, busca reorganizar seus ativos e dívidas. A medida chega em um momento em que o consumo está pressionado e o custo de crédito encarece operações de empresas de diversos setores.
O movimento ocorre em meio a um cenário econômico desafiador, com recuperação judicial de outras companhias e aumento no uso de instrumentos de reestruturação. Dados de consultorias apontam maior volume de pedidos no início de 2025.
O levantamento da Serasa Experian indica que, em 2025, 977 processos de recuperação judicial foram deferidos, o maior volume desde 2016, com Agropecuária e Agronegócio entre os setores mais impactados. A economia doméstica pesa na demanda.
A Nomeação de profissionais de reestruturação e especialistas evidencia uma mudança de percepção sobre RJ e REJ. Técnicas de reorganização têm sido usadas como forma de preservar operações viáveis e manter empregos, mesmo em empresas com dificuldades sérias.
Contexto econômico e financeiro
Relatórios apontam alta de juros e aversão ao risco global como fatores que elevam o custo do capital para empresas. O Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial registrou 84 pedidos de REJ em 2025, refletindo maior adoção de vias menos públicas de ajuste financeiro.
Economistas destacam relação entre déficit fiscal, inflação e fluxo de crédito. Dados da Serasa mostram 8,9 milhões de CNPJs com dívidas atrasadas em março, totalizando cerca de R$ 212,8 bilhões, o que complica o acesso a crédito para pequenas empresas.
Geopolítica e custos de energia também pesam. Conflitos internacionais mantêm pressão sobre cadeias de suprimento e preços de combustíveis, impactando margens de empresas dependentes de crédito para alongar passivos e sustentar operações.
Perspectivas para o mercado de reestruturação
Especialistas ressaltam que a recuperação extrajudicial ganha espaço, oferecendo agilidade com menor custo e maior confidencialidade. Ainda assim, não resolve crises estruturais, e empresas com problemas graves podem recorrer à RJ.
Executivos do setor destacam que a credibilidade é fator central nesses processos. Quando abalada, a empresa pode precisar de uma RJ para reorganizar compromissos e manter operações. A tendência é usar REJ como parte de um conjunto de ferramentas.
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