O CEO da Next, Lord Wolfson, alertou que houve uma queda “dramática” nas oportunidades de emprego de nível inicial no Reino Unido. Segundo ele, há dois anos a loja recebia em média 10 candidatos por vaga; hoje são 19.
Ele disse que esse aumento expressivo no número de candidatos evidencia a gravidade da crise do desemprego jovem. Wolfson também citou que uma possível proibição de contratos de zero horas, a partir do próximo ano, pode dificultar a contratação.
Panorama recente
Um porta-voz do Tesouro informou que elevar o salário mínimo beneficiou mais de 200 mil jovens e que as contribuições do empregador para a Previdência Social ficam menores ao contratar pessoas com menos de 21 anos. O governo também aponta um pacote de 2,5 bilhões de libras para criar oportunidades.
Uma assessoria do Departamento de Negócios e Comércio destacou que o Next recebeu remuneração de 7 milhões de libras no ano passado e que as medidas orçamentárias visam estabilizar a economia e apoiar famílias e empresas. O choque fiscal é citado como fator de menor contratação.
As preocupações sobre jovens sem emprego aumentam. Dados mostram taxa de desemprego de 16,2% para 16-24 anos, bem acima da média nacional. Em setores como varejo e alimentação, há relatos de dificuldades para criar vagas, sobretudo as de meio salário.
Wolfson afirmou que, frente aos custos, o Next reduziu o quadro de funcionários nas lojas físicas, enquanto o canal online cresce. O executivo já havia apontado que a folha de pagamento subiu cerca de 70 milhões de libras por ano.
Políticas e impactos
O CEO ressaltou que a Next investe em automação e tecnologias, como armários de autoatendimento para devoluções. Ele rejeitou a ideia de privilegiar acionistas em detrimento de trabalhadores.
Críticos argumentam que regras para reduzir a insegurança de horários impactam menos a criação de vagas, especialmente para jovens. O movimento sindical defende contratos de horas regulares, amplamente distribuídos.
Wolfson defende que o problema da juventude está ligado a falhas mais amplas na economia, sugerindo mudanças em planejamento, energia e transportes para impulsionar o crescimento.
Entre na conversa da comunidade