A Bradesco Asset Management passou a adotar posições de maior risco no Brasil após a divulgação de mensagens que conectam o pré-candidato Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A mudança ocorreu em meio à recuperação de ativos locais, com a percepção de maior risco político após o caso.
Segundo Fernando Monteiro, superintendente dos fundos multimercado da Bradesco Asset, a gestão saiu de uma posição de baixo risco em relação ao Brasil. Com a correção dos ativos, o portfólio ganhou exposição a juros reais e câmbio, antes inexistentes ou limitadas.
A estratégia passou a incluir venda de dólar e aposta na valorização do real frente à moeda norte-americana, além de manter posições que favorecem a inflação de curto prazo. A visão é de que o dólar deve perder força diante do real.
Reação de mercado e contexto
A divulgação do Intercept Brasil, envolvendo possível apoio financeiro de Vorcaro a Flávio, elevou a percepção de risco político e pressionou o câmbio, com o dólar registrando alta e o Ibovespa recuando próximo de 2% logo após a notícia, em 13 de maio.
Levantamento da AtlasIntel para a Bloomberg News indicou recuo de Flávio Bolsonaro na dianteira eleitoral, com Lula à frente em cenário de segundo turno. Pesquisas do Datafolha e BTG/Nexus também mostraram vantagem do petista.
Perspectivas de estratégia e visão de curto prazo
Monteiro afirma que o real estava em posição técnica pior, impulsionando a decisão de apostar na recuperação da moeda. Já no âmbito de juros, a gestora reconhece menor performance relativa do segmento e prefere manter posições em juros reais de 3 a 5 anos.
Além disso, a Bradesco Asset mantém operações que lucram com possível aumento da inflação de curto prazo e uma posição que se beneficia do avanço dos rendimentos dos títulos públicos dos EUA.
A gestão acredita que, com o tempo, o efeito imediato das gravações tende a se dissipar, mas a volatilidade de curto prazo pode permanecer. A leitura é de que o mercado tende a rever rapidamente o impacto da divulgação.
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