O debate sobre custo e confiabilidade de energia no Brasil ganha comparação com a história do automóvel econômico. Antes da crise do petróleo, a gasolina era barata e os motores eram potentes. Com o choque, cresceu a demanda por eficiência.
Hoje, grandes consumidores migram do ACR para o ACL para contratar energia de fontes como parques eólicos e solares, que oferecem preços baixos, mas produção intermitente. A potência e a flexibilidade nem sempre acompanham o ritmo da demanda.
O SIN (Sistema Interligado Nacional) garante, em média, o fornecimento de energia, reunindo diversas usinas. Assim, o consumidor paga pela energia e pode usufruir da potência e da flexibilidade de todo o sistema.
Usinas com presença no SIN costumam ter contratos com distribuidoras, que compram no atacado e vendem no varejo aos clientes do ACR. Predominam hidrelétricas e termelétricas a gás natural de ciclo aberto.
Com a expansão de fontes intermitentes e menor regularização de reservatórios, o SIN perdeu parte de potência e flexibilidade. O governo criou o LRCAP para contratar usinas com geração pronta quando necessária.
O custo do LRCAP é estimado em quase 40 bilhões de reais por ano, valor próximo ao gasto com emendas parlamentares. A medida visa reforçar a disponibilidade de potência no sistema elétrico.
No paralelo com o mercado automotivo, o benefício do LRCAP é sistêmico, não individual. A implementação recai sobre geradores e consumidores lastreados em contratos de energia, conforme o desenho do interesse público.
Para reduzir impactos, a proposta aponta que todos os agentes do setor — distribuidoras, comercializadores e consumidores livres — contribuam pela infraestrutura necessária ao serviço de energia.
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