O mercado segue reagindo aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Analistas veem uma movimentação de correção nos ativos, com foco especial no petróleo e no Ibovespa, diante de negociações sobre uma possível trégua.
Segundo João Daronco, analista da Suno Research, o movimento atual é de ajuste técnico. Ele aponta que os anúncios envolvendo o conflito têm tido efeito limitado nos preços de ativos, refletindo dúvidas sobre a credibilidade das comunicações oficiais.
Daronco destaca que as declarações sobre negociações de paz vêm sendo contraditórias entre as partes, o que reduz o efeito imediato no mercado. O analista cita episódios anteriores de recuo e mudança de posição entre Trump e o Irã como exemplo dessa volatilidade.
Quanto ao impacto de um cessar-fogo no preço do petróleo, o analista prefere cautela. A expectativa é de recuo, mas sem retorno aos patamares pré-guerra, estimando um provável intervalo entre US$ 75 e US$ 80 por barril caso o conflito cesse de forma efetiva.
Ainda assim, ele alerta que o mundo permanece sob estresse e com receios de novos conflitos, o que sustenta níveis mais altos para o petróleo, mantendo a faixa entre US$ 60 e US$ 65 como referência anterior. Esse patamar elevado tem efeito inflacionário em transporte, alimentos e bens de consumo.
O mercado não espera retornos aos picos observados no início da crise, entre US$ 115 e US$ 120. Segundo o analista, houve um intenso temor inicial que gerou corrida por commodities, seguida de uma gradual normalização conforme clarearam as informações disponíveis.
Sobre a influência de produtores específicos, Daronco é cético quanto à Venezuela contribuir no curto prazo, devido à infraestrutura deteriorada e à necessidade de investimentos significativos. Contribuição relevante exigiria tempo e recursos que não seriam viáveis rapidamente.
Já em relação à Rússia, um cessar-fogo poderia ter efeito mais significativo no mercado global de petróleo, especialmente se a oferta russa voltasse ao fluxo internacional. Nesse cenário, seria possível ver o Brent próximo de valores mais baixos, embora a visibilidade de curto prazo para chegar a US$ 50 por barril permaneça incerta.
Por fim, o analista aponta interesse comum entre países pelo fim do conflito para conter a inflação global. Ele menciona que o Irã tem posição mais firme nas negociações, o que eleva a complexidade das tratativas. Ainda assim, acredita-se que o desfecho seja próximo e que a redução do temor inflacionário possa favorecer a queda de juros e a recuperação global.
A avaliação de Daronco sugere que o melhor caminho para o mercado é uma resolução gradual e estável, com impactos positivos esperados para ativos de risco e para o cenário inflacionário mundial.
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