O economista Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, afirma que o teto de gastos e o arcabouço fiscal fracassaram. Segundo ele, as regras criadas nos governos de Michel Temer e de Luiz Inácio Lula da Silva tiveram efeito contrário ao esperado. Reformular tais dispositivos seria perda de tempo para um próximo governo.
Mendes participou do painel do evento Brasil Adiante, promovido pelo Estadão nesta quarta-feira, 27. Ele destacou que o arcabouço fiscal já veio mais frouxo do que o previsto e que o governo vem contornando a regra com diversas manobras, inclusive criando gastos extras.
O economista sustenta que houve uma corrida por formas de furar a regra, citando a possível participação do próprio Executivo nesse movimento. Ele afirmou ainda que a sociedade brasileira não teve maturidade para lidar com esse tipo de regra.
Propostas para reformas fiscais
Mendes defende reformas fiscais de verdade, com foco em três urgências: ajuste nas regras de Previdência, desvinculação entre receita e despesa e uma reforma previdenciária robusta. Ele propõe indexar o salário mínimo ao IPCA, como ocorre em outros países, além da unificação de programas sociais.
Segundo o economista, tais diretrizes deveriam orientar o programa do próximo governo a partir de 2027. Ele reconhece, porém, que a viabilidade depende de alinhamento político no Congresso. Atualmente, o debate público é visto como diferente do que ocorre no Legislativo.
Contexto político e próximos passos
Mendes afirmou que, embora o debate público seja chamado Brasil Adiante, a pauta no Congresso caminha na direção oposta, descrita como Brasil de marcha à ré. A avaliação dele é de que ciclos de ajuste fiscal precisam de apoio político para avançar.
O evento contou ainda com a participação de Pedro Parente, ex-presidente da Petrobras e atual conselheiro da M. Dias Branco, e de Jessika Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente. Os participantes discutiram propostas para o futuro econômico do Brasil.
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