O Ministério da Fazenda informou que seis fintechs, alvo de a operação Fluxo Oculto deflagrada nesta quinta-feira, movimentaram até R$ 1 bilhão em dinheiro vivo para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação identificou que a facção continuou a usar instituições financeiras para lavar recursos oriundos de tráfico de drogas, armas e adulteração de combustíveis, mesmo após a operação Carbono Oculto.
Segundo o ministro Dario Durigan, os mecanismos revelados apontam que, nos últimos anos, houve uma movimentação total de R$ 26 bilhões nessas fintechs. Além disso, foram registrados R$ 365 milhões em criptoativos vinculados ao esquema. As informações foram passadas a jornalistas durante a captura das evidências.
A investigação também aponta que as fintechs foram identificadas após mudanças impostas pelo Banco Central, que obrigou as instituições a esclarecer movimentações de clientes nas chamadas contas-bolsão, proibidas por falta de transparência. Durigan citou ainda o uso de criptoativos para lavagem de dinheiro.
Avanço da apuração e nova linha de investigação
A Receita Federal informou que três das fintechs não declararam investimentos à vista, prática exigida após a edição de normas do ano anterior. Outras três declararam movimentações de aproximadamente R$ 8 bilhões entre janeiro e dezembro de 2025. A observação envolve depósitos em espécie e contas abertas em outras instituições de pagamento.
A investigação também apura a continuidade do esquema de adulteração de combustíveis com uso de nafta petroquímica para abastecimento irregular de postos na Grande São Paulo. Há indícios de falsificação documental e venda de solventes simulada por empresas-fantasma.
Além do tráfico de dinheiro, o escopo inclui quatro fundos de investimento, duas administradoras de recursos e duas gestoras. Os fundos investigados possuem patrimônio estimado em cerca de R$ 205 milhões e mostraram crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano.
Ao todo, a operação envolve 55 mandados de busca e apreensão em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. As ações são promovidas pelo Gaeco, com participação da Receita Federal, ANP, secretarias da Fazenda estaduais, Ministério Público e forças de segurança.
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