O governo está avaliando a reação ao PL de renegociação das dívidas rurais (PL 5.122/2023), aprovado na CAE do Senado na quarta-feira, 27, e que vai ao plenário em regime de urgência. A equipe econômica analisa estratégias em conjunto com a articulação política.
A administração não descarta vetar o projeto por impactos fiscais elevados, trechos inconstitucionais e alterações estruturais no crédito rural. Também é considerada a possibilidade de validação por meio de Medida Provisória nos bastidores.
O texto foi aprovado na CAE apesar da oposição do governo e do Ministério da Fazenda, com falta de acordo sobre o substitutivo apresentado. O agronegócio pressiona pela análise rápida no Senado e na Câmara antes da sanção presidencial.
Estrutura e recursos
O projeto envolve cerca de R$ 180 bilhões em dívidas rurais. Propõe usar recursos do Fundo Social do Pré-Sal e de fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda para criar uma linha de financiamento para renegociação.
Lideranças do governo indicam que o acordo de negociação com senadores foi considerado descumprido após semanas de tratativas com o ministro da Fazenda. A avaliação é de que o texto, na forma atual, é inexequível com custo fiscal insustentável.
Cenário político e próximos passos
Após o impasse, o governo pediu ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, prazo para analisar a proposta no plenário, evitando votação rápida. A expectativa é de que o tema seja discutido em duas semanas, com tentativas de construir entendimento entre Executivo e Legislativo.
O governo orientará voto contrário no plenário, mas estima que a decisão deve envolver quórum próximo à aprovação. Existem setores que buscam consensos entre parlamentares e o governo para evitar desgastes em ano eleitoral.
Paralelamente, há articulações com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para manter o texto sob controle e evitar pauta. A Frente Parlamentar da Agropecuária já pediu prioridade ao tema junto a Motta, em busca de andamento mais célere.
Opções abertas
Outra corrente defende o veto presidencial como caminho viável, alegando inviabilidade de implementação conforme o texto. A decisão pode depender de tramitações futuras e de etapas legislativas, com possibilidade de edição de uma medida provisória.
No cenário atual, o governo trabalha com a hipótese de veto como último recurso, mantendo a ofensiva por meio de acordos no Congresso. A partir das próximas semanas, a administração avaliará novas estratégias para viabilizar ou barrar a renegociação.
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