O Ministério Público de São Paulo, por meio do Gaeco, e a Receita Federal deflagram na manhã desta quinta-feira uma nova fase da Operação Carbono Oculto, intitulada Fluxo Oculto.
A ação investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis, com o objetivo de desvelar a continuidade de práticas criminosas após a fase anterior, deflagrada em agosto de 2025. Ao todo, são cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados.
A operação aponta que o PCC permanece ativo no ecossistema de combustíveis, atuando para lavar recursos, adulterar combustíveis e sonegar impostos.
Conforme os agentes, houve concentração de movimentações em dezenas de postos por meio de uma única conta e migração de recursos entre diferentes fintechs para dificultar o acompanhamento fiscal. O grupo também teria utilizado empresas de fachada para ocultar patrimônio e evitar a fiscalização.
A ação de hoje está estruturada em três frentes de atuação: engenharia financeira e lavagem de capitais via fintechs; atuação da chamada máfia do nafta e a adulteração de combustíveis; e ocultação patrimonial por meio de fundos de investimentos (FIDCs).
Os investigadores descrevem o modus operandi, incluindo o uso de contas-bolão, contas gráficas e transferências entre fintechs para mascarar a origem de recursos, além do uso de notas fiscais falsas para desvio de NAFTA.
Entre os alvos, há indícios de reorganização para reduzir a rastreabilidade das operações e de uso de empresas de fachada. A defesa dos empresários investigados ainda não foi localizada.
Em outra linha da investigação, também é apontada a atuação de atividades associadas à adulteração de combustíveis, com solventes importados desviados para venda como gasolina automotiva. Minoram-se, ainda, impactos da sonegação fiscal envolvendo autarquias, folhas de pagamento e camadas de ocultação financeira.
A apuração aponta estimativa de prejuízo superior a R$ 200 milhões em relação à diferença tributária. A delação premiada mencionada no material investigado foi rejeitada pelos promotores.
Ao descrever o cenário, os investigadores destacam a complexidade das operações de lavagem e a conexão do PCC com o fluxo financeiro ilegal, incluindo a circulação de recursos entre diferentes entidades e o uso de FIDCs como camada final de ocultação de patrimônio.
Entre na conversa da comunidade