O mercado de FIIs viveu impulso recente com a queda de juros e o interesse por renda variável. Entre os fundos imobiliários, aqueles com dividend yield acima da Selic chamaram atenção por oferecerem retornos superiores ao benchmark.
Segundo análise da Elos Ayta, 25 dos 107 FIIs que compõem o Ifix bateram a Selic nos últimos 12 meses, com base no indicador de dividend yield. O cálculo relaciona o retorno de cada FII ao preço de suas cotas.
Essa leitura, porém, esbarra em riscos que podem não se confirmar em cenários de volatilidade. Analistas pedem cautela ao investir em FIIs com rendimento elevado sem considerar a qualidade da carteira.
Riscos por perfil de FII
Nos FIIs de papel, o crédito tende a ser mais concentrado, com CRIs de maior probabilidade de inadimplência e menos diversificação, além de sensibilidade maior à variação de juros. Em contrapartida, as distribuições podem recorrer a reservas, não refletindo caixa recorrente.
Já nos FIIs de tijolo, as dificuldades costumam aparecer como vacância elevada, atrasos no aluguel, imóveis de localização ruim ou alavancagem financeira excessiva. A recomendação é olhar a qualidade da carteira, não apenas o yield.
Contexto macro e impactos no mercado
Desde 2025 as expectativas eram de cortes graduais da Selic, com projeção de terminar o ano em torno de 12%. Atualmente, a taxa terminal estimada pelo mercado ficou próxima de 13,25%. A alta volatilidade recente eleva a incerteza sobre o ritmo de queda dos juros.
A gestora aponta que o Ifix registrou forte alta em 2025, com valorização de 21,15%, a maior desde 2019, e progressos também em 2026, com ganhos de 2,11%. O aumento do custo da energia, com o petróleo acima de US$ 100, influencia as expectativas de inflação.
Perspectivas para investidores
O cenário com inflação e câmbio pressionados pode reduzir o apetite por ativos de maior risco. Em períodos de incerteza macroeconômica, a diligência sobre a composição da carteira vira prioridade para reduzir vulnerabilidades.
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