O Ibovespa fechou maio em queda de 7,22%, aos 173 mil pontos, acumulando perda de 0,73% na sessão final e 1,37% na semana. A bolsa brasileira enfrentou recuo intenso diante da sinalização de menos espaço para cortes da Selic e de ambiente global de risco.
O giro financeiro do dia ficou em R$ 37 bilhões, mais que o dobro da média dos últimos 12 meses. Investidores estrangeiros venderam R$ 14,1 bilhões em ações no início de maio até o dia 27, com saída maior de ativos locais, impulsionada pela busca por ativos no Nasdaq.
A força do dólar foi outro ingrediente relevante: a moeda à vista fechou maio em R$ 5,04, alta de 1,8% no mês. No ano, a divisa acumula queda de 8,13% no mercado de câmbio brasileiro. O fluxo externo não é de saída completa, mas de deslocamento para ativos mais tecnológicos no exterior.
Os setores que mais penalizaram o Ibovespa incluem ações de petróleo e bancos, com o cenário internacional pressionando preço do petróleo e elevando a aversão a risco. Petrobras teve quedas expressivas, acompanhando a queda de ~22% no Brent neste mês e a incerteza sobre o canal de energia global.
A conjuntura externa trouxe impacto direto: o impasse entre EUA e Irã e a alta do petróleo ajudaram a piorar o clima para a bolsa brasileira. A indefinição sobre a reabertura do Estreito de Ormuz contribuiu para a pressão sobre o setor de energia.
Contexto global
Mesmo com a renda variável americana registrando máximas históricas impulsionadas pela IA, o Brasil migrou parte do capital para mercados com maior potencial de tecnologia. Investidores estrangeiros migraram para o Nasdaq, diminuindo o apetite por ações locais.
Perspectivas de política monetária
Bancos, como o Citi, projetam Selic em 13,75% ao ano no fim de 2026, refletindo cortes mais moderados e graduais. O tema domina o humor do mercado, diante de sinais de desaceleração do mercado de trabalho e inflação ainda sob pressão.
Olhar para o Copom
O Copom, em junho, será o divisor de águas para o curto prazo da bolsa. A expectativa é de queda da Selic para 14,25%, mas o tom do comunicado pode indicar o espaço para novos cortes no segundo semestre, influenciando o ritmo de recuperação.
Mesmo com o ambiente desafiador, há possibilidade de alívio caso haja sinalização clara de flexibilidade monetária no radar. Caso contrário, a volatilidade e a aversão a risco devem permanecer presentes nos próximos meses.
Observação final
A volatilidade externa, o ritmo de cortes da Selic e a evolução do conflito energético continuam a ditar o humor do mercado brasileiro. Riscos geopolíticos e conjuntura macroeconômica externa seguem como principais drivers para os próximos meses.
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