A economia brasileira iniciou 2026 com avanço de 1,1% do PIB no primeiro trimestre sobre o quarto trimestre de 2025, e 1,8% na comparação com o primeiro trimestre de 2025. O resultado ficou alinhado às projeções de especialistas, que apontam resistência da atividade doméstica apesar de sinais de arrefecimento em alguns segmentos. O desempenho é explicado pela recuperação da indústria e do varejo, além da continuidade de serviços favoráveis.
O agro teve alta de 0,7% na comparação anual, influenciado por uma safra recorde de soja. Já a indústria avançou 1,0% no trimestre, com destaque para a indústria extrativa mineral, que subiu 3,6% pela maior extração de petróleo e gás. A construção civil cresceu 2,9%, impulsionada pela geração de empregos e por obras de programas habitacionais. Por outro lado, a indústria de transformação ficou quase estável, em 0,1%.
Motor da oferta
Pela ótica da oferta, a soja puxou o desempenho do setor agro, enquanto milho (-2,5%) e arroz (-10,6%) tiveram quedas, conforme avaliação de Leonardo Costa, economista do Asa. Entre serviços e indústria, as atividades ligadas à informação e comunicação subiram 2,4%, e transportes e logística recuaram 0,7%, efeito atribuído aos custos de combustíveis.
Demanda doméstica impulsionada por estímulos
No lado da demanda, o consumo das famílias avançou 1,0% no trimestre, sustentado pela inflação contida, mercado de trabalho resiliente e medidas de política pública como reajuste real do salário mínimo, transferências sociais e ampliação da faixa de isenção do IR. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) subiu 3,5%, revertendo queda anterior, mas a leitura anual aponta retração de 1,4%.
As exportações caíram 1,7% e as importações cresceram 4,4%, contribuindo de modo negativo para o PIB no agregado da demanda externa. A taxa de investimento recuou de 17,6% para 16,5% do PIB, sinalizando desafio estrutural para o crescimento sustentável, segundo analistas.
Projeções para o restante de 2026
Analistas divergentes mantêm expectativa de continuidade do crescimento, porém com desaceleração gradual. Observadores ressaltam riscos do segundo semestre, como juros elevados, inflação pressionada, cenário eleitoral e incertezas externas. O mercado aponta possibilidades de crescimento entre 1,7% e 2,0% para o fim do ano, com avaliações de que estímulos governamentais podem elevar o desempenho próximo de 1,5 ponto percentual no PIB anual. O Copom pode revisitar a rota de política monetária conforme avanços da demanda interna.
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