O Tesouro Direto encerrou maio com altas nas taxas de juros de longo prazo, impulsionadas pela inflação doméstica. Títulos atrelados à inflação e prefixados atingiram as máximas do ano, enquanto o cenário externo segue conflituoso, influenciando o humor de mercado.
A demanda por papéis com juros fixos manteve-se firme, sinalizando apetite ao risco mais baixo. A bolsa caiu mais de 7% no mês, refletindo o mesmo movimento entre investidores domésticos e estrangeiros.
- Tesouro Prefixado 2032: 14,14% ante 13,99% na véspera.
- Tesouro IPCA+ 2032: IPCA mais 7,84% ante 7,78%.
- Tesouro Selic 2031: Selic mais 0,075% ante 0,077%.
Na manhã desta sexta (29), o IBGE informou que o PIB brasileiro cresceu 1,1% no 1º trimestre de 2026, acima do 0,1% visto no quarto trimestre de 2025. O resultado manteve o mercado atento a revisões das expectativas para 2026.
Pelo lado do emprego, dados da PNAD indicaram desemprego de 5,8% em abril, a menor taxa para o mês na série histórica, enquanto o Caged apontou abertura líquida de 85.888 vagas com carteira assinada em abril, abaixo da mediana de 215 mil.
Ainda na semana, o IPCA-15 subiu 0,62% em maio, conforme o IBGE. O indicador mostrou desaceleração frente a abril (0,89%), mas ficou acima da expectativa de 0,57% projetada pelo mercado.
Cenários e impactos
Na segunda metade do mês, a projeção de inflação para 2026 subiu de 4,92% para 5,04%, segundo o Focus. Com a meta de 3% e tolerância de 1,5% a 4,5%, o cenário pode levar o BC a manter a pausa nos cortes da Selic, segundo economistas.
Além de fatores internos, o El Niño começa a entrar na equação inflacionária. O fenômeno pode reduzir safras no Norte e Nordeste e provocar pressão de preços de alimentos, ampliando a pressão sobre a inflação futura.
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