A queda nas cotações do café amplia a busca por soluções alternativas entre cafeicultores. A verticalização aparece como resposta para manter a viabilidade diante de ciclos de preço voláteis.
Economistas costumam classificar o mercado de café como inelástico para o consumidor, mas não para o produtor. Nos períodos de preços altos, cresce o plantio, renovação de lavouras e a entrada de novos investidores.
Com o avanço da safra brasileira projetada pela CONAB e estoques históricos ainda altos, o ritmo de queda de preços tende a se intensificar. O cenário internacional, com produção do Vietnã, também influencia as cotações.
A verticalização ganhou fôlego desde o final dos anos 1990, início de um movimento que envolve torrefação e venda direta. A Fazenda Ipanema, no Sul de Minas, ficou entre os primeiros exemplos de integração nessa cadeia.
Ao longo dos anos, surgiram torrefações menores, com máquinas de 1 kg a 10 kg, facilitando a entrada de produtores em microtorrefação. A oferta de equipamentos mais acessíveis ampliou o perfil de atuação no segmento.
Na década de 2010, o conceito de micro lotes ganhou força, com marcas que destacaram diversidade regional e variedade de torra. A comunicação mais leve conquistou novos consumidores, o que estimulou o crescimento de torrefações de produtores.
Novo impulso: nano torrefações e formação profissional
Mais recentemente, o movimento ganhou impulso com pequenas torrefações que operam perto do produtor. Equipamentos modernos de baixa capacidade e embalagens recicláveis ampliam a viabilidade.
A ABIC lançou o Projeto Nano, em parceria com o Instituto Federal do Sul de Minas Campus Machado. O programa oferece capacitação técnica e empresarial para nano e micro torrefações, com 50 vagas disponíveis.
O objetivo é ampliar a qualidade e a diversidade do produto, tornando o mercado mais estável diante de oscilação de preços. Torrefações bem estruturadas ganham espaço em redes de varejo e no atendimento direto ao consumidor.
O movimento sugere uma evolução contínua da cadeia, com maior participação de produtores na torrefação e na comercialização. O resultado esperado é um mercado brasileiro mais robusto, com oferta variada de cafés.
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