Em entrevista ao WW, Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC, defendeu que o governo brasileiro adote diálogo intenso e criatividade para enfrentar as novas tarifas dos EUA. Azevêdo comenta o relatório do USTR, que sugere tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros.
O ex-diplomata afirma que a Seção 301, que investiga práticas consideradas desleais, envolve o Brasil como país-alvo e exige a identificação de prejuízos aos interesses das empresas norte-americanas. Ele aponta que o escopo da investigação ampliou-se para temas como anticorrupção, etanol, propriedade intelectual e desmatamento.
Para Azevêdo, a negociação não precisa ficar limitada aos temas da lista. Ele cita como possibilidade o Brasil considerar negociações em áreas de interesse mútuo, inclusive abrindo espaço para contrapartidas, como margens de redução tarifária em setores com tarifas elevadas.
O ex-diplomata destaca que a criatividade e o canal aberto são essenciais, enfatizando a importância de um diálogo intenso e da confiança mútua entre os governos. Ele afirma que as oportunidades passam pela identificação de ganhos para ambas as partes.
Entretanto, Azevêdo mostra ceticismo quanto à viabilidade de um acordo no curto prazo. Em ano eleitoral nos Estados Unidos, ele aponta que a negociação pode não ser a melhor estratégia politicamente.
Para ilustrar as dificuldades, ele cita o episódio envolvendo o bloqueio brasileiro à moratória de transmissões eletrônicas na OMC, que gerou insatisfação entre negociadores norte-americanos e complicou o contexto de diálogo.
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