O Representante Comercial dos EUA (USTR) concluiu o relatório preliminar da investigação da Seção 301 sobre o Brasil. A recomendação aponta uma tarifa adicional de 25% para um conjunto de exportações brasileiras, visando alegadas discriminações contra empresas norte-americanas. O relatório segue para consulta pública, audiência em Washington e avaliação final pelo presidente.
A análise envolve reclamações de setores como Pix, desmatamento, etanol, patentes, marcas, corrupção e acordos com México e Índia. A avaliação conclui que o Brasil mantém discriminações comerciais, segundo o texto da investigação. A versão final dependerá de novos dados e deliberações.
O processo, iniciado em julho de 2025, tem etapas formais: consulta pública, audiência e revisão do relatório pelo comércio dos EUA. O objetivo é pressionar o Brasil a conceder concessões alinhadas aos interesses norte‑americanos na relação comercial.
Desenvolvimento técnico e impactos
A lista de produtos sujeita à tarifa pode sofrer alterações, já que a composição do anexo ainda pode ser ajustada. Entre itens de referência estão café, carne, suco de laranja, celulose, fertilizantes e minerais. Produtos sensíveis ao consumidor norte‑americano ficam de fora, assim como itens sob a Seção 232.
No efetivo, destacam-se impactos sobre produtos industriais brasileiros, com potencial efeito competitivo sobre fornecedores asiáticos. A China, nos EUA, já enfrenta tarifas elevadas, enquanto acordos parciais limitam a incidência para outros parceiros.
Para exportadores brasileiros, há passos a seguir. Verificar se o produto está excluído ou sujeito à Seção 122, 232 ou 301. Buscar exclusão por meio de consulta pública e audiência, se houver essencialidade ao mercado dos EUA, ausência de produção local ou sem substituição viável. As petições devem ser apresentadas até 22 de junho, com audiência em 7 de julho, em Washington.
O relatório também integra a tática de negociação entre Brasília e Washington, que envolve questões técnicas relevantes para o governo Lula. A relação institucional entre os dois países ajuda, mas temas como Pix, liberdade de expressão e Cláusula de Habilitação exigem cuidadosa negociação.
Perspectivas e próximos passos
Há espaço para acordos em patentes, marcas e aspectos operacionais, além de explorar o reconhecimento do Brasil como comprador relevante de software, IA, logística e serviços financeiros. Em paralelo, o Brasil pode avançar com ações na OMC e com a Lei de Reciprocidade.
Como alternativa, medidas mais rigorosas podem se intensificar, caso a negociação não avance. O Brasil já iniciou um caso na OMC contra medidas norte‑americanas e pode retomá‑lo. O cenário exige atuação coordenada entre ministérios, Congresso e Judiciário, mantendo foco em interesses nacionais.
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