A administração de Donald Trump propôs tarifas de 25% sobre as importações provenientes do Brasil, alegando que a maior economia da América do Sul pratica políticas comerciais consideradas irreasonáveis que afetam o comércio dos EUA. A medida faz parte de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA.
A decisão foi anunciada após a conclusão preliminar de uma apuração sobre práticas comerciais brasileiras, incluindo questões de combate à corrupção e tarifas consideradas desvantajosas aos norte-americanos. O Brasil já mantém superávit comercial com os EUA em anos recentes, sobretudo em bens.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu de forma veemente à proposta e vinculou a decisão a disputas domésticas da política brasileira. O dirigente afirmou que o governo americano está influenciado por adversários dele nas eleições de outubro e citou tensões com membros da administração de Trump.
Segundo a representação comercial, houve encontros considerados construtivos entre representantes dos EUA e o governo brasileiro, incluindo Lula, mas ficaram claras discordâncias sobre como resolver os problemas apontados na investigação. Uma audiência pública sobre as tarifas está marcada para 6 de julho.
A resposta oficial de Brasília foi de que o diálogo com Washington permanece ativo, com participação direta de Lula e de Trump. O governo brasileiro afirmou que as mudanças devem ser implementadas apenas com cautela para reduzir impactos na economia, empregos e renda no país.
Dados de comércio divulgados mostram que, no ano passado, as exportações dos EUA ao Brasil cresceram perto de 11%, atingindo cerca de 54,4 bilhões de dólares, enquanto as exportações brasileiras aos EUA recuaram aproximadamente 5,7%, para 39,9 bilhões de dólares, gerando um superávit de mais de 14 bilhões de dólares para os EUA. O setor de serviços também mostra vantagem para os EUA.
A proposta ocorre em um contexto de mudanças recentes nas relações entre os dois países, que incluiu visitas de autoridades brasileiras a Washington e a imposição de classificações de organizações criminosas brasileiras por parte dos EUA, após encontros entre autoridades de alto nível. Analistas destacam que a tarifa pode abranger boa parte das importações brasileiras, mas excluir setores como aeronaves e minerais estratégicos.
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