O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, afirmou nesta quarta-feira que ainda é cedo para afirmar que houve mudança estrutural no comércio entre Brasil e EUA por causa das tarifas. Ele aponta que os fluxos se ajustam lentamente conforme a pauta.
Brandão explicou que o ritmo de adaptação depende da composição dos produtos exportados e da demanda. Ele citou que commodities e alimentos costumam sofrer menos impacto, enquanto itens sob encomenda sofrem choques maiores.
Dados de maio mostram queda nas exportações brasileiras para os EUA, com redução de 14% em relação a maio de 2025. A avaliação é de que o recuo está relacionado a fatores de curto prazo e não apenas às tarifas.
Contexto do comércio com EUA
Em maio, as exportações de óleos combustíveis da indústria de transformação subiram 75,2%, refletindo choques de oferta no mercado internacional de combustíveis, provocados pelo conflito no Oriente Médio.
O valor exportado desses óleos aumentou 49,8% no mês. Já os óleos brutos da indústria extrativa caíram 9,3% em valor, com 42,1% de retração no volume embarcado, movimento considerado pontual pelo governo.
Brandão afirmou que o resultado não está relacionado à alíquota de 12% do imposto de exportação que foi estabelecida recentemente. Segundo ele, o Brasil continua competitivo e a produção permanece estável.
Ele citou ainda a entrada em operação, em fevereiro, de uma nova plataforma de produção de petróleo como exemplo de investimentos que mantêm a atividade no setor.
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