O CEO da Unilever defendeu a fusão do segmento de alimentos com a fabricante americana McCormick, afirmando que não há risco de fadiga de mudanças entre os colaboradores. O acordo, anunciado em março, envolve uma operação que valoriza o novo grupo em quase US$ 66 bilhões.
A dupla empresa combinada deve ter receitas anuais de cerca de US$ 20 bilhões, com alavancagem prevista em quatro vezes a relação dívida líquida com lucro. A McCormick ficará com 35% do conjunto; a Unilever, 65% (com distribuição de ações para seus acionistas).
O negócio ocorre no contexto de reforma interna na Unilever, liderada pelo atual CEO, Fernando Fernández, que substituiu o antigo comando. A empresa tem sido criticada por sua cultura corporativa e por lentidão em mudanças, motivo pelo qual tramou a fusão para ampliar escala.
A conclusão do acordo está prevista para ocorrer em cerca de 12 meses, conforme anunciado. A estrutura manterá a marca McCormick no topo do novo grupo, com a Unilever mantendo o controle majoritário. O dinheiro recebido pela Unilever facilitará recompras de ações equivalentes a US$ 6 bilhões.
Reações e riscos analisados
Investidores temem o aumento da dívida da nova empresa e a continuidade de reformulações. O preço das ações da Unilever não recuperou a queda de 7% registrada após o anúncio. A McCormick também registrou queda em seu valor de mercado, com movimentos adversos de alguns acionistas.
Analistas destacam que a operação pode afastar investidores que preferem empresas com menor endividamento. Observam ainda que as mudanças devem permanecer intensas nos próximos anos, afetando a moral interna e a execução estratégica dentro do grupo.
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