O verão ainda não começou no hemisfério norte, mas países europeus registraram uma semana com temperaturas acima do habitual, enfrentando ondas de calor cada vez mais intensas. França, Reino Unido e Países Baixos se veem obrigados a se preparar para o calor extremo, com impactos econômicos e sociais significativos.
Uma avaliação da Allianz Trade estima perdas no PIB de 2026 a 2030 de até 7% nos países mais expostos, com a França sendo o principal exemplo, onde o custo das ondas de calor pode chegar a 240 bilhões de dólares no período. A pressão atinge transportes, indústria, escolas e serviços públicos.
O efeito na produtividade já é mensurável: a partir de 30°C, a produção por hora cai em média 3% por grau adicional, sendo ainda pior acima de 35°C. Além disso, gastos com saúde e assistência social sobem, principalmente para idosos e grupos vulneráveis, segundo Mireille Chiroleu, da Sorbonne.
Estudos apontam que as perdas de produção não são os únicos impactos; os custos com saúde durante ondas de calor entre 2015 e 2020 na França ficaram entre 22 e 37 bilhões de euros, segundo a pesquisadora. Ela destaca que esse peso é maior que as perdas diretas de produção.
Risco de choque macroeconômico
Um estudo de 2025, envolvendo a Universidade de Mannheim e o BCE, alerta para possível choque macroeconômico na zona do euro causado por ondas de calor, secas e inundações. A estimativa é de até 126 bilhões de euros até 2029, com Espanha, Itália e França mais expostas.
Em Paris, ocorreu uma coletiva da ministra da Transição Ecológica, Monique Barbut, durante temperaturas de 36°C. Relatos de imprensa indicam sala aquecida e ventiladores funcionando para amparar jornalistas. O Alto Conselho para o Clima reafirma previsões de alta de até 4°C na média até o fim do século.
19% de prédios adaptados na Europa
A Allianz Trade aponta que a Europa tem apenas 19% de imóveis adaptados para enfrentar o calor, reflexo de uma população envelhecida, edifícios mal preparados e infraestrutura de resfriamento insuficiente. A adoção de soluções passa por controle de demanda energética e medidas de adaptação.
Especialistas ressaltam que o ar-condicionado não deve ser a única resposta: é necessário isolamento térmico, arborização e outras intervenções para evitar ilhas de calor. O uso do ar pode acentuar desigualdades urbanas.
Recursos para adaptação ainda insuficientes
Organizações ambientais destacam a necessidade de cumprir planos de adaptação, ampliando proteções contra o calor em empresas e residências. A Ademe aponta que janelas adequadas e venezianas reduzem a demanda por ar-condicionado entre 20% e 60%.
Na prática, muitos países encaixam as ações de adaptação em orçamento limitado. A França, por exemplo, teve o Fundo Verde para o Clima reduzido nos últimos anos, limitando investimentos. A avaliação aponta que o montante disponível é insuficiente para as necessidades previstas.
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