O humor do mercado em relação à Selic mudou desde o início do ano. O que parecia um ciclo longo de cortes agora gera dúvidas sobre o espaço restante para reduzir a taxa. A corrente prática aponta para a possibilidade de que a reunião do Copom, no dia 17 de junho, marque o último corte de 2026.
A mudança reflete fatores que dificultam a atuação do Banco Central. Tensões no Oriente Médio elevaram o petróleo, as projeções de inflação subiram e a economia brasileira mostrou vigor acima do previsto, reduzindo o espaço para cortes significativos.
Nas condições atuais, o mercado já trabalha com a hipótese de que junho pode ser o último corte da Selic em 2026.
Mudança de percepção e próximos passos
Para a reunião de 5 de agosto, as apostas passaram a indicar maior probabilidade de manutenção da taxa, com crescimento de 61% para 78% em poucos dias, segundo contratos negociados.
Essa revisão não ocorreu repentinamente. Desde o começo do ano, projeções de inflação e juros vêm sendo revisadas para cima, diminuindo a margem para um ciclo mais longo de cortes.
No primeiro Boletim Focus de 2026, a inflação projetada para o fim do ano era de 4,06% e a Selic, 12,25%. Hoje, as estimativas subiram para 5,09% e 13,25%, respectivamente.
Cenário externo e impacto interno
A alta do petróleo alimenta pressões sobre combustíveis, transporte e logística, elevando custos pela cadeia produtiva e alimentando temores inflacionários. Tensões entre EUA e Irã contribuem para esse cenário.
No mercado doméstico, a atividade econômica tem mostrado resiliência, com estímulos governamentais sustentando o consumo. O BC pode adotar postura mais cautelosa para manter a convergência da inflação.
Além disso, instituições financeiras já revisam seus cenários. A XP, por exemplo, elevou a projeção da Selic ao fim de 2026 de 13,75% para 14%, citando inflação melhor ou pior que o esperado e ambiente externo mais adverso.
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