O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em uma lista de 59 economias que teriam de enfrentar tarifas adicionais de 12,5% por não terem proibido totalmente a importação de bens produzidos com trabalho forçado. A medida é apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio (USTR).
O relatório dos EUA aponta falhas na proibição e na aplicação de limitações a mercadorias feitas com trabalho forçado. Há também menção a planos de tarifas adicionais para 53 países, com seis recebendo taxação de 10%.
O que o relatório diz sobre o Brasil
O Brasil aparece na lista como país com 19 menções em uma análise de 98 páginas. O texto afirma que o Brasil não impôs nem aplicou plenamente a proibição a bens produzidos com trabalho forçado.
O documento sustenta que, embora o Brasil alegue ter compromissos para frear esse tipo de prática, as disposições não proíbem definitivamente importações de bens forçados. O Brasil é citado em um estudo de caso sobre carne bovina.
A reportagem também destaca que pesquisas independentes indicam a possível presença de trabalho forçado na pecuária brasileira. A BBC entrou em contato com o governo brasileiro e com entidades do setor, sem manifestação imediata.
Países na lista junto com o Brasil
Além do Brasil, a lista inclui nações como África do Sul, Argentina, Canadá, China, Japão, Reino Unido, União Europeia, México, Índia, Indonésia, México, Noruega, além de muitos outros. Todas as economias são acusadas de falhar na proibição ou na fiscalização.
Entre os casos com tariffação de 10%, estão Canadá, União Europeia, Equador, México, Paquistão e Indonésia, por terem mecanismos, mas não fiscalização eficaz. As tarifas para o Brasil não estão definidas de forma final.
Tensões e próximos passos
O anúncio ocorreu pouco antes de a tarifa de 25% contra o Brasil ser discutida e de ocorrer audiência pública, marcada para 7 de julho. O USTR sinalizou manter diálogo com o Brasil até 15 de julho para, se necessário, adotar medidas.
Em público, autoridades americanas destacam a importância de reduzir condições desiguais para trabalhadores e empresas. O governo brasileiro acompanha as consultas públicas que vão até 1º de julho, com debate previsto até 15 de julho.
Entre na conversa da comunidade