A Raízen (RAIZ4) está próxima de vender suas operações na Argentina por cerca de R$ 7 bilhões a um consórcio liderado pela trading suíça Mercuria Energy Group. Segundo o Valor Econômico, as negociações avançaram e a assinatura pode ocorrer nos próximos dias, com conclusão em até três meses.
A venda faz parte da estratégia de reestruturação da Raízen para fortalecer o caixa e reduzir o endividamento. O negócio envolve ativos como uma refinaria, uma fábrica de lubrificantes e uma rede de postos Shell no país.
O processo teve início há cerca de 18 meses e atraiu interesse de grandes grupos globais de energia e commodities, incluindo Trafigura, Vitol e Saudi Aramco, conforme o veículo.
Participantes da operação
O empresário argentino José Luis Manzano integra o grupo comprador, junto à Mercuria. A transação representa o maior desinvestimento já realizado pela Raízen até hoje, segundo o jornal.
Desde o começo de 2025, a Raízen já levantou aproximadamente R$ 5 bilhões com a venda de ativos, como participações em usinas e projetos de geração distribuída.
Contexto financeiro e planos de recuperação
Em março de 2026, a dívida líquida da Raízen equivalia a 5,3 vezes o Ebitda, indicador de geração de caixa. A empresa negocia uma reestruturação de cerca de R$ 65 bilhões em passivos por meio de recuperação extrajudicial.
O plano inclui um aporte mínimo de R$ 3,5 bilhões da Shell, com possibilidade de R$ 500 milhões adicionais de um veículo ligado à Aguassanta Investimentos. O acordo prevê conversão de 45% da dívida em ações e alongamento dos vencimentos dos 55% restantes.
Assessores e posicionamento
BTG Pactual atua como assessor financeiro da Raízen na negociação argentina, enquanto o UBS representa a Mercuria. A Raízen informou à imprensa que não comenta rumores ou negociações em andamento.
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