Ao menos dois dos 15 maiores acionistas da Heineken pediram, em entrevista ao Financial Times, que a cervejaria mude a prática de promover apenas de dentro e busque um CEO com maior experiência de mercado. a saída do CEO Dolf van den Brink ocorreu no fim de maio, deixando a empresa em busca de um novo comando. As ações da companhia recuaram 3,8% no acumulado do ano.
Especialistas ouvidos pelo FT afirmam que a mudança é necessária para reverter a desaceleração e a confiança no longo prazo. A presidência da empresa ainda é conduzida por executivos que atuam internamente há décadas, o que, segundo analistas, pode limitar a visão externa de gestão.
Entre os grandes acionistas que discutem o tema, o gestor Julien Albertini, da First Eagle Investments, aponta a necessidade de olhar para fora da organização. Daniel O’Keefe, da Artisan Partners, compartilha a mesma avaliação, porém teme que a empresa encontre um perfil apenas medianamente competitivo.
Candidatos em foco e governança
Dentro da Heineken, os dois principais nomes citados como potenciais CEOs são o holandês Jacco van der Linden, atual presidente das operações na Ásia-Pacífico, e o britânico Glenn Caton, que comanda as operações europeias desde há dois anos. A possível troca de perfil gera preocupação entre membros do conselho.
A estrutura acionária da empresa, controlada pela família Carvalho-Heineken, mantém oito cadeiras no conselho, com cinco membros da família. Essa composição é apontada como um fator que pode influenciar a definição do perfil de liderança e as negociações entre os conselheiros.
Desempenho e perspectivas de curto prazo
A indefinição na liderança impacta o mercado. No início deste ano, as ações registram queda de cerca de 3,8% no ano, refletindo dúvidas entre investidores. O Deutsche Bank rebaixou a recomendação para neutra, citando a incerteza na direção como um dos motivos.
O Citi também descreveu a situação como delicada, destacando que o setor enfrenta volumes fracos e pressão de preços. A normalização de preços ocorreu somente em julho de 2025, após congelamento que durou desde abril de 2024.
Nos resultados do primeiro trimestre de 2026, a Heineken mostrou queda de volume entre 1% e 3%, enquanto a receita líquida avançou 2,5%, para cerca de € 6,7 bilhões. A contínua incerteza sobre a liderança compõe o cenário de desempenho da empresa.
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