A Raízen fechou um acordo extrajudicial de reestruturação com a maioria de seus credores para renegociar dívida estimada em R$ 65 bilhões (US$ 12,57 bilhões). A oscilação entre as partes recebeu apoio de cerca de 75% das obrigações envolvidas no plano, segundo fontes da Bloomberg News. A empresa iniciou o envio dos documentos à Justiça brasileira para formalizar o acordo.
O objetivo é evitar a recuperação judicial, já que a aprovação depende de maioria simples (50% mais um) dos credores. Pessoas próximas às negociações apontaram que o processo durou aproximadamente dois anos, iniciando antes de março deste ano. A Raízen havia avaliado as opções, incluindo a recuperação extrajudicial, devido às dificuldades em consolidar aportes de Cosan e Shell.
Cosan e Shell sempre mantiveram participações próximas na Raízen desde a criação, em 2011. O endividamento é associado a investimentos em tecnologias como etanol de segunda geração (E2G), produzido a partir de resíduos da cana. A estratégia visava reduzir emissões, mas tornou o equilíbrio financeiro mais desafiador.
A Raízen atua em toda a cadeia da cana, com produção de açúcar, etanol e bioenergia. A empresa distribui e comercializa mais de 30 bilhões de litros de combustíveis por ano, além de operar 8 mil postos sob a marca Shell e 70 terminais de distribuição. Além do Brasil, tem presença na Argentina, EUA, França, Alemanha e Indonésia.
Histórico recente mostra queda no varejo de combustíveis, com a parceria do grupo Cosan e Shell na marca Oxxo encerrando em 2025. A Femsa retomou a gestão das lojas Oxxo, enquanto a Raízen manteve Shell Select e Shell Café. Analistas apontam que o varejo não atingiu o equilíbrio financeiro, contribuindo para o cenário atual.
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