Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, afirma que a nova tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros tem função política e visa abrir mercados estratégicos para Washington. A medida foi anunciada no âmbito de uma revisão de políticas comerciais dos EUA.
Segundo Barral, a denúncia de protecionismo é seletiva e usa retórica política. Ele ressalta que a relação Brasil-EUA é deficitária para o Brasil, e que as tarifas americanas sobre itens-chave são mais altas do que as brasileiras.
O ex-secretário, que atuou no governo Lula, aponta dois planos na política americana: abertura de setores específicos e pressão bilateral para ganho de negociação. A leitura é de que a economia brasileira precisa avançar em competitividade.
Mudança de justificativa dos EUA
O relatório da Casa Branca, divulgado recentemente, muda o foco da acusação anterior de protecionismo. Agora, as motivações citadas envolvem questões como trabalho forçado, desrespeito a regras de redes sociais e falhas no combate ao desmatamento.
A tarifa proposta é de 25% e não alcança diversos itens estratégicos para os EUA, como carnes, frutas, minerais, café, equipamentos e medicamentos. A lista de isenções é vista por Barral como indicativo de pressão política, não apenas econômica.
Em comparação, o Brasil não aplica tarifa sobre 10 importações norte-americanas, enquanto os EUA tributam quatro das mesmas oito a 10 mercadorias brasileiras mais importadas. Para Barral, isso reforça a visão de retórica seletiva na acusação de protecionismo.
Avaliação técnica e abertura de mercados
Barral afirma que a tarifa não é incoerente, mas reflete planos distintos: abertura econômica do Brasil e uso da ofensiva tarifária dos EUA como instrumento de negociação. O advogado atua hoje como sócio de escritório de advocacia.
Ele destaca que, apesar de a relação bilateral ter sido marcada por barreiras, as medidas norte-americanas combinam tarifas com instrumentos regulatórios. A leitura é de que o objetivo é ampliar o poder de barganha dos EUA.
A análise de Barral sugere ainda que a comparação de tarifas precisa considerar a estrutura das políticas comerciais. Os EUA costumam proteger setores sensíveis com diferentes instrumentos para não desorganizar suas cadeias produtivas.
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