A Câmara dos Deputados aprovou, no fim de maio, a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1. A mudança reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais em 14 meses, com dois dias de folga por semana valendo 60 dias após a promulgação, etapa que marca a entrada em vigor. A PEC ainda precisa passar pelo Senado.
Especialistas destacam que não há uma resposta única para o dilema entre automação e contratações adicionais. O modelo de negócio e o grau de maturidade tecnológica da operação definem se a saída é reorganizar turnos, adotar banco de horas ou investir em tecnologia.
Contexto: impactos diretos nas empresas
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae, aponta que a mudança não implica, obrigatoriamente, mais empregos. O foco, segundo ele, é aumentar a produtividade por hora trabalhada, reduzindo depender da contratação adicional.
Entre as estratégias apontadas estão a reorganização de turnos, o uso de banco de horas e, principalmente, a automação. Sistemas de gestão, autoatendimento, cardápios digitais e IA são citados como caminhos para reduzir a dependência de mão de obra.
Casos práticos e cenários setoriais
A DomEduc, empresa de educação corporativa, adotou o modelo 5×2 para acompanhar o crescimento com eficiência. O CEO Douglas Domingues diz que a tecnologia permitiu redistribuir a operação e automatizar etapas da jornada do aluno, mantendo desempenho.
Em atividades com demanda presencial constante, como alimentação, a contratação pode ser necessária para manter a cobertura operacional. Estudos sugerem que a perda de horas por empregado tende a aumentar conforme o volume reduzido de horas por pessoa.
Experiência de mercado
A Seven Kings Burger, rede com três unidades, conseguiu absorver o impacto pela implantação gradual do 5×2 e abriu mais um dia de atendimento, contratando apenas um funcionário adicional. Segundo o sócio Fernando Russel, o efeito foi positivo, com equipes mais motivadas.
O professor Jorge Ferreira dos Santos Filho, da ESPM, ressalta que a contratação costuma ficar evidente quando há déficit de cobertura, especialmente se já há turnos exaustos ou muitas horas extras.
Perguntas orientadoras para decidir
1) Qual a dependência real de horas presenciais? 2) Qual o custo de fechar um dia de atendimento? 3) Como está a produtividade por hora? 4) Qual o custo total da contratação, incluindo encargos e benefícios?
Professores consultados destacam que, a longo prazo, a flexibilização pode reduzir perdas como turnover, afastamentos e queda de produtividade, se bem gerida.
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