O mercado financeiro projeta que a Selic ficará acima de 14% por vários anos, com pouca chance de cortes. A leitura vem da precificação de contratos de juros futuros, que sinalizam desalento com alivio monetário diante da inflação alta e da economia resiliente no Brasil.
A aposta de curto prazo caiu: o próximo corte de 0,25 ponto deve ficar fora da agenda para a próxima reunião do Copom. As curvas de juros trazem a Selic estável em 14,5% e, no médio prazo, indicam cerca de 15% ao fim do próximo ano.
Além disso, a curva de juros se tornou achatada, com juros de diferentes vencimentos próximos uns dos outros. Economistas destacam que, somada à incerteza externa, a posição é de zerar apostas de cortes.
Revisão de cenário
Bancos revisaram suas projeções para incorporar um aperto mais prolongado dos juros. O BTG Pactual elevou a Selic estimada para 14,25% neste ano, o Itaú para 13,75% e a XP para 14%. A Focus elevou a estimativa de 13,25% para 13,50% ao fim de 2026.
O BC sinaliza calibração contínua da política monetária, o que sustenta a perspectiva de cortes ainda em junho, segundo cálculos internos. Analistas destacam que qualquer comentário de representantes do Copom será monitorado antes do silêncio pré-reunião.
Especialistas veem o cenário externo influenciando as decisões domésticas, com o petróleo e a guerra no Irã contribuindo para pressões inflacionárias. A economia brasileira, mesmo assim, mantém indicadores de atividade robustos.
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