A edição 2026 da pesquisa Top 10 Riscos e Oportunidades no Agro, da EY, aponta as mudanças climáticas como principal risco para o agronegócio brasileiro neste ano. O estudo ouviu lideranças do setor e destacou impactos desde eventos climáticos extremos até escassez de mão de obra qualificada e instabilidade geopolítica.
A pesquisa também avalia o preparo das empresas para enfrentar os riscos. Embora haja percepção de gravidade, muitos temas relevantes ainda registram baixa prontidão para implementação de estratégias de adaptação e mitigação.
Secas, enchentes e geadas aparecem como ameaças diretas à produção, logística e acesso a crédito. Segundo o estudo, 79% dos executivos classificam os riscos climáticos como altos ou muito altos, evidenciando lacunas entre percepção e ação.
Mudanças climáticas ocupam o topo da agenda do agro
Além do impacto produtivo, cresce a pressão de investidores e compradores por práticas sustentáveis, rastreabilidade e redução de emissões. A pesquisa sinaliza que a adaptação precisa ganhar velocidade para manter competitividade.
A dificuldade de preparação contrasta com a magnitude das ameaças. O setor demanda governança, planejamento de longo prazo e estratégias integradas que conectem sustentabilidade, inovação e gestão financeira.
A falta de mão de obra qualificada intensifica esse desafio. A transformação digital elevou a demanda por profissionais em drones, automação e agricultura de precisão, sem que haja formação suficiente.
Falta de mão de obra qualificada avança para a segunda posição
A EY aponta déficit estimado de cerca de 180 mil profissionais qualificados para atender às novas demandas. Especialistas costumam considerar a escassez como limitadora de produtividade e inovação no campo.
Especialistas ressaltam que, sem talentos alinhados à tecnologia, o avanço do agronegócio pode enfrentar barreiras para crescer com eficiência e sustentabilidade.
Geopolítica amplia incertezas para exportações e insumos. O Brasil, hoje protagonista global da produção, fica exposto a conflitos, sanções e mudanças regulatórias que afetam compras e destinos de venda.
Geopolítica amplia incertezas para exportações e insumos
A dependência de fertilizantes importados e a concentração de compradores elevam vulnerabilidade a choques externos. As empresas precisam diversificar mercados, fornecedores e estratégias de mitigação de risco.
A reforma tributária e regulações aparecem entre as questões de peso. Expectativas de simplificação coexistem com incertezas sobre custos, créditos e impactos na competitividade, segundo o estudo.
Reforma tributária e regulações entram no radar das empresas
Questões ambientais e critérios de rastreabilidade ganham importância para manter acesso a mercados internacionais. Reguladores e compradores têm exigências cada vez mais rígidas.
A EY aponta que tecnologia segue como diferencial competitivo, com IA, IoT, biotecnologia, blockchain e agricultura de precisão elevando eficiência. Falhas de conectividade rural e infraestrutura limitam adoção.
Tecnologia segue como diferencial competitivo
Empresas que conseguirem integrar tecnologia às decisões estratégicas ganham vantagem em margens mais pressionadas. A pesquisa também destaca volatilidade de commodities, gestão financeira e logística como temas relevantes.
O levantamento indica uma mudança estrutural no agro brasileiro: questões antes tratadas isoladamente passam a exigir uma abordagem integrada de sustentabilidade, inovação e governança, com planejamento de longo prazo.
Agro entra em nova fase de gestão de riscos. Além dos cinco temas centrais, passam a receber atenção a produtividade, acesso a capital e compliance, entre outros aspectos da operação.
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