A Ghia Multi Family Office, com escritórios em Uberlândia, Goiânia e Cuiabá, tem atuado no atendimento a famílias do agronegócio diante de rentabilidade pressionada e mudanças na tributação. A empresa administra cerca de R$ 5 bilhões em ativos e projeta dobrar esse volume até 2028, chegando a R$ 20 bilhões nos cinco anos seguintes. O agronegócio vem crescendo na base de clientes, afirmam executivos.
A história da Ghia começa em 2008, quando Gabriel Cestari organizou a governança patrimonial da própria família, num modelo que evoluiu para um single family office. Com o tempo, o trabalho tornou-se profissional, ganhando autonomia para decisões de investimento. Em 2010 foi fundada a Ghia, que atendeu inicialmente profissionais de serviços e hoje atende famílias diversas.
A participação do agro na carteira da Ghia aumentou nos últimos anos, passando de 10% para cerca de 30%. Segundo Cestari, a demanda por serviços de multi family office cresce frente aos desafios de rentabilidade do setor, com custos de produção elevados e preços de produtos que não acompanham facilmente a curva de custos.
Reforma tributária: um fator de incerteza para o agro
O movimento de reforma tributária mantém a incerteza sobre o IVA, cuja alíquota ainda não foi definida pelo governo. Espera-se redução de até 60% para insumos e produtos agropecuários, conforme propostas. A adesão ao novo regime pode ser voluntária para produtores com faturamento anual de até R$ 3,6 milhões.
O ITCMD, imposto sobre transmissão de herança, passará a considerar o valor de mercado dos bens. Estados poderão adotar alíquotas progressivas, que podem chegar a 8%. A mudança aumenta custos de transferência para herdeiros e intensifica a demanda por planejamento sucessório, segundo especialistas.
Cestari observa que muitos agricultores mantêm dinheiro em banco como reserva de liquidez, o que pode elevar custos de sucessão caso haja necessidade de liquidação de ativos para pagar impostos. Em casos extremos, o patrimônio declarado no IR pode não refletir a disponibilidade financeira real.
Estratégias das famílias de alta renda do agro
Entre as opções usadas por investidores de alta renda estão fundos exclusivos, com personalização e custos elevados, e a previdência privada do tipo PGBL, que evita inventário e tributos como IOF e ITCMD. Estruturas offshore também aparecem como forma de diversificação e mitigação de riscos.
Cestari aponta que houve ampliação da exposição a ETFs de renda fixa, por oferecerem vantagens tributárias e custos associados menores. Ele destaca a preferência de muitos clientes por atendimento próximo, com linguagem direta e compreensão da realidade do campo, não apenas termos técnicos globais.
A atuação da Ghia evidencia a busca por soluções que conciliem governança patrimonial, planejamento sucessório e estratégias de investimento adaptadas a cenários de volatilidade e inflação setorial. A meta de crescimento mantém o agro como pilar de clientes e de estratégia.
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