A gastronomia dos países nórdicos reforçou a aposta em sustentabilidade para ampliar o turismo e o impacto econômico regional. O tema ganhou destaque durante debates paralelos à cerimônia do Guia Michelin em Copenhague, na Dinamarca.
A discussão reuniu chefs, pesquisadores e representantes do setor agrícola para debater o papel da culinaria como vetor econômico, ambiental e social, além da valorização de produtos locais e orgânicos.
Em Copenhague, ficou enfatizado o consumo de orgânicos como referência, com políticas públicas dinamarquesas que integram produção agrícola, restauração e consumo. A Dinamarca é referência global nesse aspecto, com orgânicos representando cerca de 12% das vendas internas.
Anders Nicolajsen, da área de gastronomia do Conselho Dinamarquês de Agricultura e Alimentação, destacou que o setor deve permanecer conectado ao cotidiano da população. Investir apenas como produto de nicho não faz sentido, afirmou.
Campeã dos orgânicos
A aposta em orgânicos sustenta o elo entre produção, restaurantes e consumidores, intensificando a demanda por restaurantes bem avaliados. Nicolajsen citou que cada estrela pode elevar visitas e gerar listas de espera de até três meses.
Expansão regional do turismo gastronômico
O movimento reduz a concentração em Copenhague, com pratos e experiências ganhando visibilidade em outras regiões da Dinamarca e no território vizinho. A estratégia incentiva produtores locais e diversifica a economia regional.
Visitantes internacionais passam a valorizar práticas sustentáveis, rastreabilidade de insumos e autenticidade cultural, influenciando o cardápio e as experiências oferecidas.
Além da sazonalidade e técnicas tradicionais, a agricultura orgânica, a pesca responsável e o desperdício zero aparecem como elementos centrais para a competitividade global da região.
Educação e certificação
A Dinamarca investe na educação alimentar e em certificação de produção, conectando agricultores, distribuidores e restaurantes. O objetivo é manter o equilíbrio entre prestígio internacional, sustentabilidade e inclusão social.
Especialistas destacam desafios como o risco de elitização da alta gastronomia e a necessidade de manter o acesso amplo à população, sem comprometer a qualidade.
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