A Agropecuária Maggi, ligada ao grupo Amaggi e sediada em Cuiabá (MT), captou R$ 3,5 bilhões por meio de uma CPR Financeira lastreada na produção de soja e algodão. A operação marca a estreia da empresa nesse instrumento, amplamente utilizado no agronegócio brasileiro para acesso a recursos de mercado.
A CPR-F funciona como cédula de produto rural com liquidação em dinheiro, permitindo que produtores e companhias utilizem a capacidade produtiva como garantia. A demanda pelo título superou o volume inicialmente ofertado, segundo a Maggi, e a estrutura incluiu garantia da produção da empresa.
Fundada pela família Maggi, a empresa atua em Mato Grosso com soja, milho e algodão, além de armazenagem, logística, comercialização de grãos, geração de energia e operações internacionais. A Maggi administra aproximadamente 360 mil hectares e produz cerca de 1,2 milhão de toneladas das três commodities.
Contexto do mercado de capitais no agronegócio
O crescimento das CPRs no Brasil acompanha a expansão de financiamento para grandes grupos agrícolas, cada vez mais diversificando fontes de recurso para investimentos e expansão.
A Amaggi, grupo controlador, tem mostrado interesse também no setor de biocombustíveis: recentemente, anunciou a aquisição de 40% da FS, produtora de etanol de milho avaliada em US$ 1 bilhão, fortalecendo estratégia de energia limpa.
A operação da Maggi não teve divulgação sobre a destinação específica dos recursos captados, mas reforça a tendência de uso de instrumentos de mercado de capitais por grandes empresas do agro para sustentar ativos e crescimento operacional.
Entre na conversa da comunidade