O preço da ureia caiu mais de 30% desde meados de abril, conforme o mercado reduziu o prêmio de risco ligado à guerra no Oriente Médio. A queda pressionou as cotações de grãos e de fertilizantes, trazendo alívio parcial para a inflação de alimentos.
O recuo ocorreu após a China flexibilizar restrições à exportação de ureia e o mercado considerar suprimentos retidos em Estreito de Ormuz, segundo a FertiStream, uma das maiores traders globais. A normalização ajudou a conter os preços.
O índice Bloomberg Agriculture Spot, que acompanha as 10 culturas mais negociadas, caiu para o menor nível desde 5 de março. O recuo favorece produtores e pode reduzir custos de insumos agrícolas.
A queda também derrubou o preço de milho, trigo e outros produtos agrícolas, cujo desempenho acompanha a menor demanda por insumos em função da menor volatilidade de preços.
Especialistas destacam que, apesar da queda, os custos de energia permanecem elevados e a volatilidade geopolítica mantém riscos. Combustíveis altos seguem pressionando o setor.
O que muda para o mercado de fertilizantes
Com a demanda por ureia mais fraca, compradores reduzem compras de insumos. A temporada de plantio no Hemisfério Norte está encerrada, e o Brasil adiou importações em relação ao ano anterior.
Analistas afirmam que a recuperação pode ocorrer a partir do segundo semestre, com a possível alta de preços à medida que compradores voltarem a elevar as compras para a safra seguinte.
Brasil em foco para o ajuste de preços
Estimativas indicam que o Brasil deverá influenciar o teto de preços da ureia na segunda metade do ano, com expectativa de estabilidade apenas em cenários de paz no Oriente Médio.
Especialistas lembram que, mesmo com a correção, não se pode considerar o fim da história: choques adicionais e pressões inflacionárias ainda são vistos como prováveis.
Fonte: Bloomberg, com análises de market data e de especialistas do setor agrícola.
Entre na conversa da comunidade