A popularidade mundial do ube, ou inhame-roxo, ganhou espaço fora das Filipinas. O tubérculo, que já era item tradicional no arquipélago, hoje aparece com frequência em cafeterias e padarias ao redor do mundo, aumentando a pressão sobre o cultivo local.
Na Alemanha, a proprietária de cafeteria April Schoengen, em Bonn, encontrou pela segunda vez em posto de combustível europeu um doce com sabor de ube. Ela administra a casa Ube de Oro, que desde a abertura, há dois anos, atende principalmente a comunidade filipina, mas tem atraído clientes de outras origens por produtos de cor lilás.
O que é o ube
Ube é um tubérculo naturalmente roxo, originário das Filipinas, com sabor levemente adocicado e notas de nozes. Tradicionalmente usado em geleias, sorvetes e sobremesas festivas, ele também aparece como espuma roxa em bebidas frias e adoça panquecas e waffles. Comunidades indígenas consideram-no alimento básico e fonte de proteínas, carboidratos e antioxidantes.
O crescimento da demanda externa fez do ube um carro-chefe das exportações filipinas. Em 2025, o país exportou 1,7 mil toneladas métricas de produtos derivados do ube, valendo cerca de 2,9 milhões de dólares, principalmente para os Estados Unidos. O montante representa avanço de 20% ante o ano anterior.
Desafios de produção
Ainda assim, a produção vem caindo. Em 2006, a colheita somava mais de 30 mil toneladas métricas; em 2025 ficou em 12,4 mil toneladas, segundo a Autoridade de Estatísticas das Filipinas. A escassez de insumos para plantio é apontada como entrave principal.
Grace Backian, diretora do Centro de Pesquisa e Treinamento em Cultivos de Raízes do Norte, ressalta que a demanda internacional aumenta os pedidos de mudas para ampliar áreas de plantio. Agricultores indígenas de Pampanga e Tarlac buscam fornecimento para expandir cultivo.
Como os produtores se organizam
Christopher Gomez, que atua no processamento e distribuição de ube, afirma que a demanda elevou as vendas e reduziu a prática de guardar parte da colheita para replantio. O uso de mudas vem de governos locais e de ONGs, com interesse de manter o cultivo na região.
Antes da febre, produtores vendiam a granel no mercado local, registrando prejuízo. Hoje, há maior procura por pó e extratos processados, com foco em manter a produção interna. Os contratos com agricultores passam de centenas de quilos para dezenas de toneladas.
Perspectivas e soluções
Para sustentar o ritmo, especialistas defendem estufas locais para produção de mudas e capacitação em técnicas agrícolas. Ações governamentais para financiar estufas e treinamentos são citadas como essenciais. A disponibilidade de insumos depende de redes regionais de pesquisa.
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