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ANP retoma votação sobre mudanças nas regras de venda do gás de botijão

ANP retoma votação sobre envasador avançado de GLP, abrindo espaço para enchimento por marcas fora das bases e possível impacto no custo final

O presidente Lula e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante cerimônia de lançamento do programa Gás do Povo, em Belo Horizonte (MG), em setembro de 2025.
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A ANP retoma nesta sexta-feira (12) a votação sobre mudanças nas regras de venda do gás de botijão. A proposta pode extinguir a exclusividade de marca dos vasilhames e criar a figura do envasador avançado de GLP, especialmente em regiões distantes das bases de distribuição.

O debate teve início no fim de maio e foi interrompido por pedido de vista do diretor-geral, Arthur Watt. Antes do pedido, três diretores já haviam votado a favor de abrir consulta pública para debater as novas regras.

A proposta técnica prevê a implantação de envasadores avançados, postos de enchimento em áreas remotas. O objetivo alegado é reduzir custos de transporte de botijões vazios e, com isso, menor preço final ao consumidor. O envasador poderá envasar botijões de marcas já presentes no mercado.

Defensores da mudança apontam rastreamento eletrônico para fiscalização e envio diário de informações à ANP. Já as grandes distribuidoras argumentam que a marca é um elemento de segurança e de responsabilidade pela integridade dos vasilhames.

O governo Lula e as distribuidoras reagiram, vendo a proposta como obstáculo ao programa social Gás do Povo, lançado no fim de 2025 para atender população de baixa renda. Há ainda a alegação de que a abertura pode comprometer a aquisição de cerca de 10 milhões de botijões necessários para a demanda.

As distribuidoras afirmam que a abertura para outras marcas tende a ter impacto pequeno no preço final, citando custo de retorno dos botijões como inferior a R$ 1 em produto vendido acima de R$ 100. Também destacam que a mudança poderia facilitar atividades ilícitas no setor.

Em relação ao ambiente de atuação, a ANP afirma que o novo modelo melhora a fiscalização com rastreabilidade e controle de estoques. A proposta não incluiu, porém, o enchimento fracionado dos botijões, tema que havia sido levantado pela agência.

Segundo dados da ANP, o setor é hoje concentrado: cinco grandes distribuidoras respondem por cerca de 85% das vendas de GLP. O Brasil conta com 189 bases de distribuição, com concentração maior nas regiões Sul e Sudeste; Norte, Nordeste e Centro-Oeste têm atuação mais restrita às capitais.

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